Pura irresponsabilidade

 

Editorial

Apesar de poucas pessoas, a “Marcha da Família Cristã pela Liberdade”, realizada no último domingo, relembrou as inúmeras passeatas e carreatas realizadas no Brasil, no ano passado, exigindo a reabertura do comércio e de outros segmentos. O movimento feito em Divinópolis, que nada mais é do que “o mais do mesmo”, chama a atenção, pois apesar da cidade estar na onda roxa do programa Minas Consciente, o que equivaleria a um quase lockdown, tudo, absolutamente tudo está funcionando na cidade. A passeata contou com a participação de um vereador, defensor ferrenho do tratamento precoce da covid-19. E, tudo isso, tratamento precoce, passeata, protesto para abrir (o quê?), se já está aberto, nos faz crer que se demos uma volta completa ao sol e paramos no mesmo lugar, sem sombra de dúvidas estamos trilhando o mesmo caminho: mais uma volta completa e pararemos no mesmo lugar. 

É nítido que a disputa política, que politiza a doença nos trouxe até aqui e faz com que a população continue a andar em círculos, afinal, por mais que médicos, cientistas, e demais autoridades sanitárias reforcem que apenas o distanciamento social, o uso de máscara e álcool em gel, pode diminuir as chances de contágio da doença, algumas pessoas insistem em adotar uma postura contrária, e alguns políticos se aproveitam disso pensando em eleições, nada mais do que isso. Todos já estão “carecas de saber” as regras de prevenção, mas insistem em fazer justamente o que não é permitido: aglomerar, conversar de máscara abaixada, e viver como se não houvesse uma pandemia e um vírus mortal. Sabendo que é justamente ali que pode ser feito o reduto eleitoral, alguns políticos se aproveitam, e preferem “lutar por suas eleições”, a preservar a vida, e cumprir o papel ao qual foram eleitos para cumprir. 

É fato que uma série de fatores trouxe o povo brasileiro para este abismo que parece não ter fim, mas é fato também que a metade desta culpa é dos políticos que preferiram usar o momento para fazer a política, e  não exercer o papel de representante do povo, o que é sua obrigação. Hoje, o Brasil tem mais de 353 mil mortes por covid-19, e nem mesmo a falta de medicamentos para intubação, de leitos, de profissionais da saúde, o esgotamento daqueles que estão na linha de frente há mais de um ano, além dos dados epidemiológicos que mostram um cenário cada vez pior são capazes de sensibilizar os políticos  tenham o mínimo de responsabilidade. Promover, apoiar, e participar de uma manifestação, quando milhares de pessoas lutam por suas vidas por causa deste vírus, ultrapassa o limite da irresponsabilidade, beira a crueldade. 

Oferecer o “mais do mesmo”, quando a situação requer ações efetivas, para que a população possa ter o mínimo de esperança de um dia voltar a viver uma vida normal é insano. Não tem como ter resultados diferentes quando as ações são as mesmas. E uma coisa é fato: eleição não salva ninguém, pelo contrário, tem mostrado apenas que serve para que o brasileiro fique cada vez mais à própria sorte.

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