Provar nada a ninguém

Passei por um período em minha vida em que enfrentei grandes desafios financeiros. Naquela época, tinha tudo e me parecia que não tinha nada, pois eram dívidas e mais dívidas para pagar. Embora meus ganhos fossem elevados, eles não conseguiam acompanhar o estilo de vida que eu desejava manter. Queria provar para os outros que era uma pessoa bem-sucedida. Para fazer isso, acabava gastando mais do que eu ganhava. Até que assisti uma entrevista com o fundador da TAM, Rolim Amaro, o saudoso Comandante Rolim, na qual o repórter lhe perguntava qual era o segredo do seu sucesso. Sua resposta me surpreendeu, porque eu estava fazendo justamente o oposto. Ele disse que conseguiu crescer porque quase tudo o que ganhava reinvestia na TAM. Seus gastos pessoais eram singelos. Comprava sapatos e ternos baratos e vivia de forma econômica. Começou a vida trabalhando como mecânico em uma oficina da Volkswagen e depois passou a fazer faxina em aviões. Até que, com suas economias, conseguiu tirar o brevê. Mas, mesmo depois de se tornar empresário bem-sucedido, nunca se preocupou em provar nada a ninguém.

 

O compositor inglês William Corbett disse que milhares de pessoas são levadas à pobreza por seu medo de serem consideradas pobres. Os meios de comunicação nos mostram o que devemos ter para sermos considerados bem-sucedidos e nós acreditamos. Queremos tudo agora. É por isso que os cartões de credito têm lucros extraordinários e o endividamento pessoal é astronômico. No momento em que começamos ganhar mais ou que a nossa empresa deslancha, fazemos planos para incrementar nosso estilo de vida. Começamos a achar defeito no nosso carro: é preciso comprar um novo. A nossa casa, de repente, se torna pequena demais. O bairro onde moramos já não mais nos satisfaz. A pressão que sofremos para gastar mais e mais é enorme.

O marketing se utiliza amplamente da psicologia, da sociologia e da programação neurolinguística para estimular o consumo. As pessoas que assistem televisão regularmente recebem uma média de 3 mil mensagens comerciais por dia. Em geral, o que os comerciais nos oferecem é a felicidade instantânea. A lógica emocional da propaganda é que, se eu comprar aquele produto, vou ser mais feliz.  O lado esquerdo e o direito do cérebro são estimulados, isto é, usa-se a lógica (é razoável comprar aquele produto porque eu mereço) para se atingir uma gratificação emocional (pois ele me fará mais feliz, ou mais bonito, ou mais bem-sucedido — ou tudo isso junto).

Pesquisas realizadas sobre os hábitos de pessoas de sucesso mostram que a riqueza é resultado de bons hábitos. Muito trabalho, economia, perseverança, planejamento e autodisciplina fazem parte do estilo de vida dos que conseguiram vencer na vida. Em geral, os bem-sucedidos escolhem os lugares mais econômicos para comprar seus alimentos e suas roupas. Não se esforçam tanto em parecer, se preocupam mais em poupar e ser aquilo que são. Conseguem domar o orgulho e adiar a gratificação. Preferem mais reinvestir em seus negócios que em seu bem-estar pessoal. Salomão, considerado em sua época o mais rico dos reis e o mais sábio dos seres, escreveu: “Há os que fingem ser ricos, porém nada têm. Há os que fingem ser pobres, mas são abastados” (Provérbios 13, 7). Em que grupo você gostaria de estar?

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