Protesto na UPA foi apenas adiado

Maria Tereza Oliveira

A Saúde tem passado por situação complicada em Divinópolis. Com problemas nos repasses do governo do Estado, os atrasos nos salários dos profissionais, além dos problemas na estrutura física da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a saúde também tem de lidar com falta de materiais para prestar assistências.

A bola de neve que formou-se deu origem à operação “Tartaruga” adotada por alguns médicos que atendem na UPA que, segundo o Executivo informou à reportagem na semana passada, a responsabilidade dos salários é da Santa Casa de Formiga, que faz a gestão da UPA.

Fim do protesto, mas não do problema

Na própria sexta, 30, dia em que a operação teve início, a Prefeitura fez o repasse referente a uma parte dos salários dos médicos. Embora ainda tenha ficado um mês atrasado, foi o suficiente para interromper o protesto da categoria.

Com isso, a operação “tartaruga” foi interrompida ontem pela manhã. Todavia, a suspensão foi apenas temporária. Se o restante não for quitado é possível que a operação seja retomada.

A Administração efetuou o repasse dos recursos no fim de semana para que a direção da UPA fizesse o pagamento do mês de setembro. O atraso era um dos motivos que fez a categoria iniciar a ação grevista.

A dívida que até semana passada era de R$ 1 milhão, o que correspondia a dois meses de salários atrasados (setembro e outubro), agora é metade deste valor (R$ 500 mil).

Porém, nesta quinta, vence mais um mês e, caso não consiga efetuar o pagamento, o valor da dívida volta a ser de R$ 1 milhão.

A UPA realiza diariamente mais de 400 atendimentos e é atualmente a principal porta de entrada para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo uma fonte ligada à UPA, a situação está sob controle e por enquanto não se fala sobre uma possível retomada da operação.

— Aqui nós sempre buscamos estabelecer a normalidade pelo diálogo — afirmou.

Bote salva vidas

De acordo com o vereador Dr. Delano (MDB), a UPA estava em situação ainda pior do que a atual. Sobrecarregada de pacientes, os profissionais tinham dificuldade em atender o fluxo. Todavia, o Ministério Público (MP) interveio e encaminhou os pacientes que estavam nos corredores para outras unidades de saúde.

O vereador afirma que embora ela não esteja vazia, está atendendo cerca de 50% de pacientes do que recebia outrora.

Para Delano, a intervenção do MP ajudou a minimizar as consequências da operação “Tartaruga”.

De quem é a culpa?

As consequências estão aí e todos têm dúvidas sobre a responsabilidade da situação. A Saúde do município vem sofrendo sistematicamente com problemas financeiros. Desde os atrasos nos repasses dos recursos estaduais até a conturbada gestão da UPA. No fim das contas, quem paga o papo é a população divinopolitana.

A Prefeitura precisa lidar com um contrato polêmico feito com a Santa Casa de Formiga sobre a gestão da UPA.

O Município não especificou de quanto é a dívida com a Santa Casa de Formiga, mas afirmou que a principal é em relação aos salários dos médicos.

Do contrato surgiu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da UPA, cujo o relatório final foi lido na reunião de quinta, 29. O Executivo afirma que o relatório da CPI da UPA, que trata de situações relacionadas à estrutura ainda não foi oficiado ao secretário de Saúde.

Ao Agora a Prefeitura disse estar pensando em alternativas para conseguir recursos e agilizar os pagamentos.

— O Município tem buscado a liberação de uma emenda parlamentar no valor de R$ 1 milhão, aprovada ainda em 2017, do deputado Federal Jaime Martins (PSD) e que ainda não foi creditada — revelou.

Repasses

Os atrasos nos repasses do governo estadual não são novidades, mas a bola de neve que a dívida se tornou, a cada dia rende mais um prejuízo para a cidade.

A dívida já passa dos R$ 100 milhões, sendo R$ 73 milhões para a pasta da Saúde.

O que é ruim pode piorar

Sem sinais de melhoras em um futuro próximo, além dos salários, a UPA enfrenta dificuldades em sua estrutura física e na falta de materiais. Janelas quebradas, mofos, paredes remendadas com isopor e madeira são alguns dos problemas enfrentados.

De acordo com Dr. Delano o local está passando por um colapso e os pacientes estão sem toalhas, roupas hospitalares, faltam medicamentos e local asseado para fazer curativos.

A resposta somente poderá ser dada pelos médicos vinculados à Santa Casa.

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