Protagonismo?

Preto no Branco

Como assim? Divinópolis é a principal cidade da região, referência em todos os segmentos e tida como a capital do Centro-Oeste mineiro, certo? Exatamente por ser tudo isso é que ela é, sim, protagonista. Surpresa nenhuma ela chamar à responsabilidade todos os municípios que compõem a macrorregião para resolver os problemas que todos, por depender dela, estão inseridos. A saúde sempre foi a principal pauta e agora se tornou mais ainda. Portanto, seria protagonista um município bem menor, como Lagoa da Prata, se assumisse esta frente, para resolver o problema das falta de leitos devido ao crescimento acelerado dos casos de covid-19 e, consequentemente, mortes. Divinópolis cumpriu apenas seu papel e nem de longe foi protagonista. 

Sem escapatória 

A Prefeitura teve seus méritos? Claro, espacialmente pelo trabalho de bastidores do secretário de Saúde, Alan Rodrigo da Silva, junto ao prefeito Gleidson Azevedo (PSC) e do poder de articulação da vice Janete Aparecida, do mesmo partido. Este conjunto de ações possibilitou o convite aos prefeitos (não convocação) para juntos buscarem uma solução para o caos nos leitos na região. Ao observar os números, não havia outra alternativa, a não ser a onda roxa do plano Minas Consciente. Passou a vigorar no domingo mesmo, não segunda, como era a previsão, e saiu na frente da decisão do governador ‒ o que seria comunicado por ele na terça-feira decretando a onda para toda Minas Gerais. Desde ontem, as medidas estão valendo em todo o estado e, de uma forma ou de outra, entraremos em abril com todas as restrições ainda em vigor. Como será a partir do dia 1º, Dia da Mentira?  Só depende da população.

Vale para quem? 

Diante do atual cenário, em que os leitos dos hospitais que atendem pelo SUS estão lotados, a medida é essencial. O problema é fazer com que todos cumpram rigorosamente a norma para que surja efeito. E por aqui está difícil que isso ocorra. Se as regras são para todos, não pode haver exceção. Porém, não é isso que se vê em vários pontos da cidade. Muitas lojas consideradas não essenciais estão abertas; na rua Pitangui as caminhadas e corridas seguem normalmente – muitas pessoas sem máscara – sem falar no tanto de gente batendo perna na rua sem necessidade. Aliás, só aí têm dois motivos para os ônibus estarem lotados ‒ não adianta reduzir frota se o povo fica em casa. E muitos menos implantar rigidez se não tem como fiscalizar. Algumas coisas precisam ser revistas urgentemente, sob o risco de o sacrifício não gerar o resultado que se espera.  

Demanda gigante 

Ninguém é obrigado a saber de forma técnica e correta como funcionam os sistemas. Mas pelo menos poderiam ler sobre o assunto ou tirar as dúvidas como alguém antes de ir para as redes sociais dar manota. Aliás, para muita gente, foi a melhor coisa que se inventou até agora. É muito comum alguém questionar a vinda de pacientes para Divinópolis, ocupando o lugar dos moradores daqui. Não é bem assim. A macrorregião Oeste foi criada em 1993, pelo então governador Hélio Garcia, baseado em estudos da Fundação João Pinheiro (FJP). São 55 cidades, incluindo a nossa ‒ e que conta, inclusive, com parte do Campo das Vertentes, Alto São Francisco e Sudoeste de Minas. De lá para cá, como citado acima, Divinópolis ficou com esta carga, e os leitos aqui instalados não pertencem ao Município: da mesma forma que o Estado banca, manda para cá pacientes até de outras regiões. E isso acontece em toda cidade polo do Estado. É bom que isso fique claro, e parem com esse blá blá blá, senão ficará difícil viver em lugar onde uma parte tem medo da morte, outra tem da fome... E a terceira quer atear fogo no resto. 

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