Promotoria começa a investigar gravações que envolvem Galileu

Pollyanna Martins

 

O Ministério Público deu início à investigação das gravações das supostas ligações telefônicas que envolvem o prefeito de Divinópolis, Galileu Machado (MDB), o editor do “Divinews”, Geraldo Passos, e o ex-aliado do prefeito, Marcelo Máximo de Morais Fernando, conhecido como Marcelo Marreco. O órgão instaurou um procedimento preparatório na quarta-feira, 25.

Conforme informa a descrição do procedimento, será apurada a possível prática ato de improbidade administrativa cometida pelo prefeito, ao nomear Marcelo Máximo de Morais Fernandes para o cargo em comissão de Coordenador de Abastecimento e Segurança Alimentar, na Secretaria Municipal de Agronegócios (Semag), por meio do Decreto Municipal 12.914, de 23 de abril de 2018, para que ele recebesse remuneração sem efetivamente trabalhar.

O procedimento preparatório foi aberto na Promotoria do Patrimônio Público, e será conduzido pelo promotor Gilberto Osório. Osório foi quem pediu o afastamento de Fausto Barros do governo municipal, em junho do ano passado, após o ex-assessor especial de governo ser preso em flagrante em seu gabinete na Prefeitura, por posse ilegal de arma. Na época da prisão de Fausto, o promotor de Justiça pediu também o afastamento do então assessor especial do governo do cargo, e o proibiu de frequentar a Prefeitura, ou outro órgão municipal. Em nota, o Ministério Público se limitou a informar que o caso já estava sendo investigado.

O MP começou a investigação após Marcelo Máximo usar a Tribuna Livre, na reunião ordinária da Câmara, na última terça-feira, 24, e divulgar em um primeiro momento uma suposta ligação telefônica entre ele e o prefeito. Nos suposto telefonema, Galileu oferece um cargo comissionado ao ex-aliado na Prefeitura, onde ele não precisaria trabalhar.

— Mas você vai ficar na coordenadoria, um trem assim, não vai trabalhar não – afirma o prefeito.

Marcelo entregou uma cópia de um CD com a gravação da suposta ligação aos vereadores do partido do prefeito: Adair Otaviano, Edson Sousa e Delano Santiago (MDB). Além da cópia do CD, o ex-aliado de Galileu apresentou uma cópia do decreto de sua nomeação. O documento estava assinado pelo prefeito e pelo secretário municipal de Governo, Roberto Antônio Ribeiro Chaves.

Novas gravações

No dia seguinte à publicação da matéria “Galileu deu cargo e disse para não trabalhar, acusa ex-aliado do prefeito”, Marcelo Marreco procurou o Agora e entregou novas gravações. Nestes novos supostos telefonemas, o ex-aliado do prefeito conversa com o editor do “Divinews”, Geraldo Passos. A voz atribuída a Geraldo diz a Marcelo que tomou a liberdade de “falar com o povo lá”, sobre sua suposta nomeação no Poder Executivo.

Durante o suposto diálogo, o editor do "Divinews" afirma ao ex-aliado de Galileu que Fausto Barros, afastado do cargo após denúncia do promotor de Justiça em junho do ano passado, iria procurá-lo e entregar o decreto de sua nomeação.

— Parece que o Fausto vai te procurar hoje. O Fausto e não sei quem aí do Roberto, que é o secretário [...] Eu detonei eles, você sabe como é que eu faço né? Eu arrebentei com eles. Aí eles estão para te procurar hoje ainda, te falando do cargo, e publicando no Diário Oficial, quê que “cê” acha? – questiona.

Na suposta conversa, Geraldo Passos tenta ainda persuadir Marcelo a desistir de seu pronunciamento na Tribuna Livre, na qual iria denunciar a primeira suposta ligação feita com o prefeito. O editor do “Divinews” sugere uma viagem a Itapecerica, para que o ex-aliado do prefeito não comparecesse à Câmara.

Os lados

Ao Agora, o ex-assessor especial de governo negou qualquer envolvimento na tentativa de nomeação de Marcelo Marreco. Fausto disse que as informações são inverídicas, que não havia procurado ninguém e que não tinha nada a ver com o caso.

— Não estou pactuado, não tenho nada a ver com este assunto. Tenho certeza que quem denunciou, quem está falando sabe que eu não participei. Fui procurado pelo senhor Marcelo, mas não tenho nada, não levei decreto, não levei nada – afirma.

Geraldo Passos disse em nota que, como jornalista, não tinha nenhuma participação na nomeação de ninguém e que tal função só é exercida por quem de direito pode fazê-lo.

— Porém, como cidadão, tenho como princípio ajudar as pessoas e, se estiver ao meu alcance, gostaria muito de ajudar, desde que a pessoa tenha capacidade para exercer qualquer cargo, na esfera pública ou na iniciativa privada.

A CPI

Após as denuncias, o vereador Edson Sousa fez um pedido de instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as gravações das supostas ligações. O pedido de CPI do parlamentar recebeu apenas seis assinaturas: Cleitinho (PPS), Sargento Elton (PEN), Janete (PSD), Roger Viegas (PROS) e Eduardo Print Jr. (SD), além do próprio requerente. Durante a reunião ordinária de quinta-feira, 26 os vereadores Delano Santiago e Rodrigo Kaboja (PSD) tentaram minimizar o fato e colocaram em xeque a idoneidade de Marcelo Marreco. Alguns parlamentares sequer tocaram no assunto e outros se limitaram a dizer que as gravações precisam ser periciadas.

A Prefeitura

A Prefeitura só se posicionou sobre o assunto na noite de quinta-feira após intensa repercussão na cidade. Em nota, o Poder Executivo afirmou que as denúncias eram uma tentativa maliciosa de promover uma sensação de instabilidade na Administração Municipal, “com o uso de material de áudio atribuído ao prefeito, sem comprovação de veracidade ou mesmo possível edição prévia”.

 

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