Promotores de eventos vivem incertezas do ‘novo normal’

Protesto pela reabertura do setor ganhou as ruas de Divinópolis

Da Redação

A liberação de alguns segmentos da economia em detrimento de outros tem causado muitos protestos por parte de empresários que ainda não puderam reabrir os negócios por causa dos riscos de contaminação da covid-19. Em Minas Gerais, o programa estadual para flexibilização da atividade comercial, o Minas Consciente, organizou por setores os empreendimentos que podem funcionar a depender do nível de contaminação da cidade em que se encontra.

A diferenciação entre os ramos de atividade é que levou um grupo de promotores de eventos à praça da Catedral na tarde desta terça-feira, 7. Indignados com a proibição do funcionamento, eles pediam a permissão para o retorno dos eventos, parados desde o início da pandemia.

— São muitas pessoas sem trabalhar há mais de seis meses. Salões de festa, buffet, DJs, garçons, cerimonialistas, loja de noivas, vestidos de festas, ternos, bolos, doces, convites, enfim, são muitos trabalhadores que fazem uma produção de festa e que agora estão sem saída — desabafou a empresária do ramo de eventos Márcia Telles.

Vestidos com roupas pretas em sinal de luto pelo setor, que está parado, os manifestantes se reuniram seguiram em protesto até o prédio da Prefeitura. Uma das principais reclamações é a falta de direcionamento por parte do poder público.

— Precisamos voltar a trabalhar urgente. A maioria aqui sobrevive dos eventos. Até o presente momento, não tivemos nenhum apoio por parte da Secretaria Municipal de Saúde, Prefeitura, vereadores, nada. O setor de festas e eventos foi o primeiro a parar e será o último a voltar. Enquanto isso, as festas clandestinas estão acontecendo nos sítios, condomínios, bares, todas de forma irregular — destacou Márcia.

Perspectiva

Apesar de todo o problema financeiro enfrentado pelos promotores de eventos, a perspectiva é que o setor ainda continue paralisado, pelo menos em Divinópolis. Isso porque a cidade que permanece na onda amarela e corre o risco iminente de retroagir nas medidas de flexibilização, a contar os indicativos da pandemia na cidade.

Outro fato que pode dificultar a reabertura é a falta de autonomia do Município em relação às medidas tomadas pelo Governo do Estado no Minas Consciente. A Administração Municipal salientou à reportagem que, desde que houve adesão ao plano estadual, as decisões de reabertura ou não dependem do estágio em que a cidade se encontra na classificação estadual. A Prefeitura poderá apenas implementar medidas mais duras na contenção da doença, enquanto a liberação de setores está a cargo somente das secretarias de Estado de Saúde (SES-MG), de Desenvolvimento Econômico de Minas (Sede-MG) e Comitê Estadual de Combate à Pandemia.

Minas Consciente

A reportagem entrou em contato com a Sede/MG, que reafirmou as classificações do programa estadual, no qual Divinópolis aparece no estágio intermediário, podendo ir para o vermelho. A secretaria ainda afirmou que, embora os eventos presenciais estejam liberados apenas para municípios da onda verde, as modalidades não presenciais podem ser realizadas.

— As atividades econômicas relacionadas aos setores de eventos estão contempladas na onda verde do plano Minas Consciente. As atividades e os eventos em estilo drive thru e drive-in estão liberadas, independentemente da onda da região, sem limitação de clientes/usuários, desde que todos os demais protocolos sejam rigorosamente aplicados — informou a pasta.

No Norte de Minas e no Triângulo Sul, algumas cidades, além de outras microrregiões, tiveram o aval para o setor de eventos. Eles podem acontecer com a lotação máxima de 30 pessoas, desde que sejam observadas as medidas de higiene.

Nacional

As desconfianças em relação ao novo normal fizeram pesar o estrago no setor de eventos. Em todo o país, promotores de eventos estão tendo que remarcar celebrações agendadas, além de devolver investimentos a quem teve de cancelar. O setor de no país estima prejuízo na casa dos R$ 90 bilhões. Os desligamentos no segmento podem ser ainda mais agravados, já que o último levantamento da Associação Brasileira de Promotores de Eventos apontava para 580 mil empregos diretos perdidos. 

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