Promessa é cargo

 

Dizem por aí que promessa é dívida, mas para Galileu Machado (MDB) promessa parece ser cargo comissionado. Acostumado com os moldes da velha política, o prefeito não economizou e lotou a Prefeitura de cargos comissionados em pouco mais de 60 dias de governo. Muito criticado, o chefe do Executivo não se abalou e, pouco mais de um ano de sua posse, mantém o Poder Executivo com mais de 200 cargos comissionados.

Logo no início de seu mandato, Galileu se valeu da justificativa de que, por não ter tido período de transição de governo, devido à sua situação na Justiça Eleitoral, precisava “se cercar o máximo possível de uma máquina bem executada”, assim como explicou o procurador-geral do Município, Wendel Santos, no dia 6 de abril do ano passado.

Além de respaldar na falta de transição de governo, o prefeito prometeu, por meio do procurador, que reduziria o número de cargos comissionados, porém quase um ano pouca coisa mudou. Dos 214 cargos comissionados nomeados pelo prefeito até abril de 2017, apenas quatro foram extintos. O que mais impressiona é ver uma Prefeitura supostamente quebrada que concede 3,94% de reajuste para o funcionalismo e, de quebra, para os agentes políticos e comissionados; que tem um decreto de calamidade financeira na saúde; que reduz o horário de atendimento ao povo; e ainda assim mantém 210 cargos comissionados. Diante desta situação, é impossível não perguntar: tem dinheiro para pagar este tanto de funcionário, mas não tem para comprar remédios na Farmácia Central? Não, a conta não fecha.

Nesta situação, o povo é que paga a duras penas as promessas de campanha de Galileu. No início das nomeações, o prefeito se valeu também da justificativa de que a maioria dos nomeados para os cargos comissionados eram servidores de carreira do Município. E esta seria uma forma de valorizá-los, pois alguns cargos tinham gratificações de 70% a 100%. Hoje, além de não ter mais o período de transição de governo como desculpa, Galileu não tem também a justificativa de ter mais servidores efetivos nomeados nos cargos em comissão. Dos 210 funcionários nomeados, apenas 87 (41,5%) são servidores de carreira na Prefeitura. Outro fato intrigante nas nomeações é o prefeito ter de se “cercar de uma máquina bem executada”, que não consegue tirar o Município da “lama”.

Galileu tanto pediu para trabalhar que o povo carente de heróis lhe deu mais uma chance, para mais uma vez, até o momento, se decepcionar. Com o seu discurso de guerreiro, que tiraria a cidade do buraco, o prefeito disse que faria mais três Unidades de Pronto Atendimento para os divinopolitanos, entre outras milhares de promessas. No entanto, a principal obra do prefeito até agora é o inchaço da máquina pública. Sem remédio na farmacinha, sem atendimento em horário integral na Prefeitura, constantes ameaças de greve na Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto, quatro Unidades Especiais de Atendimento (UEA’s) fechadas, salários dos servidores escalonados, são apenas algumas das situações que Galileu, junto com a sua “máquina bem executada”, proporcionou para Divinópolis. 

Até o momento, o prefeito não parece disposto a cortar na própria carne para colocar a casa e as finanças em dia. Enfim, Galileu está de volta e quem já sentiu na própria carne foi só o povo.

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