Projeto social no Copacabana ganha voz na Câmara

Atividades ajudam a ocupar o tempo de crianças durante a pandemia com desenvolvimento de habilidades

Matheus Augusto

Quem discursou no Plenário da Câmara nesta terça-feira, 23, foi Sidnéia Hermes, uma das idealizadoras do projeto “Cola na Copa, Arte na Periferia”, que “visa oferecer oportunidades às crianças e adolescentes para que se afastem da criminalidade”. Professora de matemática há 20 anos, ela contou sua história com o bairro Copacabana, onde viu a implantação do “Minha Casa, Minha Vida”. 

— Estamos tentando criar uma comunidade. Éramos 500 famílias que não se conheciam e agora, passados 8 anos, podemos dizer que somos irmãos, amigos e não só vizinhos — destacou.

Segundo ela, “lá não teve pandemia, teve férias”, em referência às crianças brincando nas ruas. 

— Eu percebi que só aquela mesmice de rua todos os dias não era suficiente, que precisávamos de algo mais — citou.

Percebendo a necessidade de desenvolver “algo diferente” para que “eles tivessem uma visão de mundo maior que tem hoje”, Sidnéia juntamente com sua comunidade criou o “Cola no Copa”. O intuito é ampliar a limitada visão de mundo de parte das crianças e adolescentes, haja visto que muitos não conhecem nem mesmo a região central da cidade.

O primeiro apoio do projeto, que ganhou forma em janeiro, veio do Quilombo Urbano, com a oferta de oficinas de hip hop, grafite, criação e contação de história. As mães também auxiliam com exercícios de artesanato. Hermes garante que todas as normas de segurança sanitária são seguidas, com uso de máscara e respeito ao distanciamento social, com as oficinas sendo realizadas ao ar livre. 

O empenho dos envolvidos, porém, não é suficiente para dar à proposta condições ideias de realização.

— A gente precisa do braço público. A comunidade, quando quer, consegue muita coisa, mas a gente precisa de ajuda do braço público — citou.

A declaração aos vereadores não é o primeiro pedido de ajuda da professora. Ela contou ter protocolado sete ofícios solicitando a limpeza do campo de futebol do bairro, considerado o “único espaço público” do bairro. Nenhum foi respondido.

— As oficinas estão acontecendo no meu quintal. Nada contra, mas precisamos de um espaço mais adequado para funcionar — explicou.

Sidnéia, entretanto, reconheceu os esforços da atual administração em realizar obras e limpezas em outros locais da cidade, mas pediu atenção especial ao caso.

— Sem a limpeza, que é grande devido ao tamanho do mato, sem uma patrola, não é possível — comentou.

“Cola no Copa” conta atualmente com 40 crianças, entre 7 e 15 anos de idade. Entre as atividades, todas recebem um lanche.

— Não tem nada melhor para segurar menino que um cachorro quente e um refrigerante — brincou Sidnéia.

No futuro, “não tão distante”, ela espera ampliar o projeto e, por exemplo, produzir uniformes. “Dar a elas um sentido de pertencer a algo maior, que é algo que falta hoje às crianças", defendeu. O objetivo é desenvolver nos participantes sentimentos de orgulho da região onde cresceram e possam lutar por melhorias na região. 

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