Projeto ensina produção audiovisual a jovens

Maria Tereza Oliveira

Os alunos da Escola Municipal Padre Guaritá participam de um projeto de introdução ao audiovisual. Intitulado “Cinelab”, dois alunos do curso de Comunicação Social da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) realizam oficinas sobre a temática com os adolescentes da escola.

As oficinas começaram neste mês. Desde então, 17 alunos do 8º e 9º ano, com idades entre 14 e 16 anos participam das aulas às quartas-feiras.

Nesta semana é comemorado o Dia do Audiovisual na Educação e o Agora acompanhou a oficina de ontem e entrevistou os bolsistas, alunos e o professor coordenador do Cinelab, Richardson Pontone.

Alecsander Alves, de 22 anos e Nádia Piacesi, de 20, são estudantes de jornalismo e publicidade e propaganda, respectivamente, ao conversarem sobre a vontade de passar o conhecimento sobre audiovisual adiante, tiveram a ideia do projeto.

— Nádia é uma garota nova, mas que já tem um acúmulo de audiovisual muito acima da média pela idade dela. Ela e o Alecsander me mandaram uma proposta de meia lauda. O intuito dos alunos era de que, a partir da ideia deles, eu desenvolvesse um projeto de extensão — explicou Pontone.

O professor contou que na época estava com pouco tempo, mas mesmo assim elaborou o Cinelab.

— Eu escrevi a metodologia, os objetivos gerais e específicos, apresentação, o cronograma e a importância dele como projeto de extensão. Eu queria que o projeto fosse bem amplo. Por isso nós mesmos precisávamos produzir o material didático usado nas oficinas — pontuou.

Nova experiência

Os responsáveis por ministrar as oficinas são os dois autores da ideia: Alecsander e Nádia.

Alecsander contou que o material escolhido para as aulas são inspirados na apostilha da Associação de Curtas-Metragens de Minas Gerais.

— Nós normalmente nos reunimos na segunda-feira para planejarmos as aulas que acontecem na quarta. Buscamos usar a linguagem que os adolescentes usam para atraí-los e deixá-los interessados nas oficinas — revelou.

Para Nádia, trabalhar com adolescentes é algo complexo.

— É preciso mantê-los concentrados nas oficinas. Uma professora que tive na universidade costumava trabalhar com referências. Ela trazia os assuntos acadêmicos para a nossa realidade. Eu tento fazer isso nas oficinas — destacou.

Os dois se revezam nas oficinas. Enquanto Alecsander trabalha com oficinas técnicas, onde ele ensina os jovens a produzir o material. Nádia trabalha com a linguagem cinematográfica. Ela explica linguagem do cinema, roteirização, dentre outros.

Ambos afirmam que os adolescentes da geração atual estão mais conectados nas redes sociais.

— É importante trazer o audiovisual para as redes sociais e usá-lo na criação de conteúdo — afirma Alecsander.

— A gente busca usar uma linguagem mais antenada com a que eles assistem. Como o YouTube, por exemplo — contou Nádia.

Alecsander destaca a importância de deixar as oficinas mais atrativas para os jovens.

— Deixar a aula mais intuitiva, usar muitas figuras e tornar mais prática as lições, faz com que os alunos se mantenham mais interessados na aula — apontou.

— Nós também gostamos de acrescentar dinâmicas nas oficinas. Assim eles participam mais — completou Nádia.

Aprendizado

Júlio Eduardo, de 14 anos, é um dos alunos que frequentam as oficinas. Ele disse que tomou conhecimento do projeto através do professor José Heleno.

— Eu me interessei porque é uma área que a gente tem contato sempre. Hoje em dia a gente está em contato com o audiovisual e é legal aprender como ele é feito — contou.

O adolescente elogiou as oficinas e disse que elas são bem elaboradas, explicativas e dinâmicas.

— Estou aprendendo muitas coisas com as aulas. Cada semana é um novo conhecimento adquirido — destacou.

Júlio revelou que o lugar onde mais consome audiovisual é no YouTube.

— Agora já dá até para identificar como eles fazem os vídeos. É interessante porque faz a gente valorizar mais o que eles fazem, porque dá pra ver como é trabalhoso — explicou.

Ele disse que as oficinas são de grande valia e já enxerga mais além.

— Elas serão muito úteis até nas escolhas de profissões. Por exemplo, se a gente quiser fazer jornalismo, já vamos ter alguns conhecimentos da área — concluiu.

Escolha da escola

O Cinelab estava com início previsto para o segundo semestre de 2018, mas antes de iniciar as oficinas, era preciso escolher uma escola.

— Entre abril, maio e junho, estávamos selecionando a escola e, paralelamente, produzimos o material didático utilizado nas oficinas. A princípio nós imaginamos que os alunos estariam no ensino médio. Mas eu não queria que o projeto fosse para o 3º ano porque os alunos estão focados no vestibular — revelou Richardson Pontone.

De acordo com o coordenador, o período de seleção da escola coincidiu com a época da greve nas escolas estaduais, o que acabou dificultando o processo. Entretanto, graças a outro professor da universidade, a escolha foi facilitada.

— José Heleno, além de ser meu colega na Uemg também dá aulas de história na escola Padre Guaritá. Ele sempre foi um professor com a mente aberta e de posturas progressistas. Então, quando me perguntou se eu queria levar o Cinelab para a escola, eu topei — lembrou.

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