Programa Nacional de Imunização está sem chefia desde 7 de julho

Da Redação

Criado há quase meio século para garantir e expandir o acesso da população à vacinação no Brasil, o Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde está sem chefia desde o dia 7 de julho. A falta de um responsável pelo Programa ocorre não só durante a pandemia da Covid-19, mas um momento de queda das coberturas vacinais no país ao nível da década de 1980. Especialistas apontam que a falta de nomeação para um novo coordenador mostra o total desinteresse do Governo Federal, e afirmam que é necessário resolver o problema com urgência.

As taxas de vacinação de doenças como meningite, hepatite B e paralisia infantil, que estavam próximas de 100% até 2015, caíram para menos de 80% no ano passado. Para os infectologistas, o risco de ressurgimento de doenças é real.

Em entrevista ao portal UOL, a coordenador do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Rosana Richtmann ressaltou que nomear um responsável pelo PNI não é uma prioridade para o Governo.

 - Eu não tenho muita dúvida de que essa demora na nomeação atrapalha, porque você vê que isso não é prioridade para as autoridades. Se fosse prioridade, a pessoa sairia do cargo num dia e já se começaria a buscar novos nomes. A gente não vê isso – reforça.

O Ministério da Saúde anunciou, na última semana, a prorrogação da campanha nacional de multivacinação, voltada a crianças e adolescentes até 15 anos. Na cerimônia de lançamento, o então ministro interino, Rodrigo Cruz, falou sobre a importância da imunização, chorou e ganhou um abraço do Zé Gotinha.

A adesão à campanha, porém, ficou abaixo do esperado, e a mobilização acabou estendida até o final de novembro. Para os especialistas, a necessidade de prorrogação dos trabalhos é fruto de um dos principais fatores que, segundo eles, têm prejudicado a cobertura vacinal no país: a falta de comunicação.

- A comunicação com a população é muito ruim. Nós acabamos de ter uma campanha de multivacinação e ninguém soube disso. Esta comunicação, que tem ocorrido com tudo o que envolve a covid, eu não vejo nem de perto um esforço semelhante sobre os riscos das outras doenças - afirmou Rosana Richtmann ao UOL.

Perigo

Os infectologistas alertam que o Brasil precisa agir rápido para reverter o quadro de cobertura vacinal. Caso contrário, outras doenças poderão seguir o rumo do sarampo, que registrou surtos nos últimos anos e levou o Brasil a perder, em 2019, o certificado de território livre do vírus.

- O sarampo foi o primeiro a dar as caras porque é o mais transmissível. Então, quando você vê um cenário de baixa cobertura de todas as vacinas, a primeira doença que aparece é o sarampo, que se transmite muito mais fácil – explica, Renato Kfouri, da SBI.

- Mas aí tem difteria, pólio, coqueluche, meningite. São todas doenças também factíveis de aumento de casos em função da baixa cobertura – conclui.

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