Professora Maria Helena quer propostas viáveis a curto prazo

Candidata destacou importância de projetos adequados à atual realidade

Matheus Augusto

O Partido dos Trabalhadores (PT) indicou Professora Maria Helena para disputar a Prefeitura de Divinópolis. Eleita, a candidata não espera caminho fácil. Enquanto alguns enxergam 2021 como um ano “pós-pandemia”, ela tem suas dúvidas. A prefeitável, porém, concorda que os municípios devem enfrentar dificuldades para se organizarem financeiramente para o próximo ano. Para superar essa adversidade, o objetivo é desenvolver ações viáveis a curto prazo para gerar emprego e renda.

Ensino

Com Professora no nome de urna, Maria Helena cita suas principais metas para a educação.

— A gente precisa fortalecer o Conselho [Municipal de Educação], pois ele traz os anseios e as reivindicações, principalmente dos profissionais da educação, que são figuras essenciais nesse processo — destaca.

Seu objetivo é investir na oferta de cursos para a categoria, por meio de parcerias e convênios com empresas e universidades.

— Toda melhoria na educação tem que, necessariamente, passar pela formação continuada desses profissionais — citou.

Ela, porém, ressalta as limitações impostas pelo orçamento, tendo em vista que as receitas e despesas para o próximo ano já foram aprovadas pela Câmara.

— A gente fala “tentar” porque está no nosso plano de governo, mas depende do orçamento. A gente não pode ser irresponsável e dizer “eu vou fazer”. Eu pretendo fazer. (...) O orçamento do que ano que vem já está pronto. Nossa margem é pequena de fazer um rearranjo — explicou.

A candidata ainda tem como meta para a área criar escolas de tempo integral, dado o “impacto para as mães”.

Público

Com os efeitos econômicos da pandemia, a expectativa é que um número considerável de pessoas deixem de contar com plano de saúde particular e passem a fazer uso do Sistema Único de Saúde (SUS). Com o aumento da demanda, a representante petista prevê, ao mesmo tempo, queda na arrecadação.

— A saúde vai ter um impacto violento, ainda mais pelo impacto da PEC do Teto. (...) ou seja, a diminuição drástica dos recursos para Saúde e Educação — detalhou.

Professora Maria Helena ainda vê um cenário incerto e diz esperar enfrentar meses com a pandemia, pois não é possível saber quando todas as pessoas terão acesso a uma vacina. A solução é “racionalizar os recursos” e investir no atendimento primário.

— [Precisamos] garantir que o recurso, mesmo sendo bem menor do que a gente gostaria, fortaleça a atenção básica para, principalmente, evitar que as pessoas sobrecarreguem a UPA [Unidade de Pronto Atendimento] — ressalta.

Sua proposta é fazer um levantamento para “reorganizar o sistema da forma mais racional possível”.

Administração

“A questão do orçamento é complicada”, avalia Maria Helena. Para ela, não basta apenas prometer reduzir o número de cargos comissionados e aplicar uma reforma administrativa. É preciso ir além.

— Só isso não basta. Tem que fazer reforma? Sim. Mas, além da reforma administrativa, fazer a modernização administrativa — propõe.

Para alcançar esse objetivos, ela traça metas como tornar a cidade “inteligente”, investir na formação dos trabalhadores e organizar pequenas cooperativas de trabalhos. Outra ideia é estruturar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, com membros da indústria, empresários, prestadores de serviços, comerciantes e representantes de outros setores para viabilizar “soluções que gerem empregos e renda”.

No campo, a ideia é valorizar a agricultura familiar.

— A gente pretende reabrir o Restaurante Popular e comprar os produtos diretamente do produtor rural — detalha.

Maria Helena ainda cita a intenção de “organizar hortas comunitárias em áreas ociosas” e  isentar o proprietário do IPTU desses locais e desenvolver verduras sem agrotóxicos, além de uma produção agroecológica. Ela também vê capacidade em apoiar “pequenas iniciativas populares” por meio de microcrédito.

— Não temos grandes pretensões porque nós sabemos as limitações que teremos — justifica.

Ecologia

O meio ambiente é pauta presente no plano de governo da candidata.

— A recuperação da qualidade da água e da vazão do rio Itapecerica será o símbolo da nossa gestão.  Numa sociedade em transição ecológica para o século XXI, em que paradigmas têm que ser quebrados, a relação com o meio ambiente, com os recursos naturais tem que ser repensada e mudada. Não podemos abrir mão de recuperar o rio Itapecerica. O rio precisa voltar a viver, ele está agonizando — afirma.

Cultura

Por fim, a candidata detalhou a reunião que teve com alguns artistas das cidades. Maria Helena vê como principal desafio criar um ambiente favorável à arrecadação de verbas estaduais e federais.

— A cultura precisa ser institucionalizada. A gente precisa criar os mecanismos que garantam o orçamento participativo, revisar a lei de incentivo, que foi desativada, e criar o conselho, a conferência, o fundo e o plano municipal de Cultura, a conferência... Sem esses mecanismos, é difícil captar recursos e desenvolver projetos — promete.

A intenção é valorizar a pasta que pode contribuir para o desenvolvimento econômico de Divinópolis.

— É uma secretaria tão importante quanto qualquer outra. A cultura também é geradora de emprego e renda — argumenta.

Como contrapartida aos investimentos a serem feitos na áreas, os artistas circularão com seus projetos pela cidade.

— É descentralizar as ações de cultura. (...) A periferia também precisa ser atingida por esses projetos e ações culturais. Isso a gente não vai abrir mão — finalizou Professora Maria Helena.

 

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