Procura por atendimento na UPA aumenta 30%

 

Matheus Augusto

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto, habitualmente já cheia, tem visto a lotação e procura por atendimento aumentar em 30%. O motivo: 12 unidades de saúde, sendo oito postos de Estratégia Saúde da Família (ESF) e quatro unidades tradicionais, ainda sem médicos. Com isso, quem tem suspeita da doença só tem uma alternativa: buscar a UPA e aguardar na fila.

Com 293 casos confirmados e outros 364 em análise, Divinópolis vê, desde o início do ano, o número de notificações aumentar. Ao todo, já foram mais de 800 casos registrados, entre descartados, suspeitos e confirmados. Apesar do crescimento de ocorrências, boa parte das unidades de saúde continua sem médicos, ocasionando a superlotação da UPA.

Superlotação

Apesar de cheia, alguns pacientes, em conversa com o Agora, relataram que o atendimento não tem sido tão lento. Uma família com bebê no colo esperava em pé, chegou à UPA por volta das 13h. Eles elogiaram o serviço prestado e contaram que foram bem atendidos, sem demora. Porém, por volta de 16h30, ainda aguardavam o resultado dos exames.

Um dos profissionais da unidade classificou a situação como “insuportável”. Mesmo acostumada com o grande movimento, a condição teria piorado com a presença de centenas de pessoas apresentando sintomas da doença e buscando atendimento. Segundo ela, apesar da lotação, o atendimento tem “fluído” bem, dentro das possibilidades.

Fatalidade

A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) confirmou, nesta semana, as duas primeiras mortes por dengue na cidade. Um homem, de 77 anos, morava no Niterói e morreu na UPA, poucas horas após ser internado. A outra vítima, uma mulher, de 69 anos, era do bairro Santa Clara, e deu entrada no hospital Santa Mônica. Ela morreu no dia seguinte à internação.

De acordo com a Semusa, os dois idosos chegaram às unidades de saúde com o quadro de saúde já grave.

Minas

O último boletim epidemiológico divulgado na segunda-feira, 22, pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Minas Gerais já registrou 140.754 casos de dengue, entre confirmações e suspeitas. O relatório também aponta a morte de 14 pessoas em decorrência da doença. As mortes em Divinópolis ainda não constam no documento, pois a SES ainda deve realizar exames para confirmar a causa da morte.

Crise

A condição é tão alarmante que o Governo de Minas decretou situação de emergência devido aos altos índices. Em comunicado, o Estado informou que, inicialmente, 93 cidades irão receber um recurso extra para intensificar o combate ao mosquito Aedes aegypti. A determinação de quais cidades serão beneficiadas ou não teve como base a classificação feita pela SES (muito alta, alta, média, baixa e silenciosa).

Divinópolis encontra-se com índice médio. Porém, com o número de casos crescente e as mortes registradas, a cidade pode entrar na lista dos municípios que devem ter um repasse extra.

Segundo o Governo, devido à situação financeira, não será possível fazer repasses adicionais para auxiliar no combate à dengue em todos os municípios. Na segunda fase, outras 46 Prefeituras devem ser beneficiadas, com um valor total de R$ 1,88 milhão.

Os recursos extras disponibilizados pelo Estado devem ser utilizados para o reforço das ações de enfretamento a dengue, como a contração de agentes de controle de endemias, capacitação para profissionais na assistência hospitalar e aquisição de materiais para ações de mobilização e mutirões de limpeza.

 

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