Procoquó

Preto no Branco

O áudio vazado em que a vice-prefeita Divinópolis, Janete Aparecida (PSD), faz críticas ao prefeito de Nova Serrana, Euzébio Lago (MDB) e à secretária de Saúde do Município, Gláucia Sbampato, continua rendendo. Mas não é só isso. Causou indignação em muita gente. A coluna teve acesso a áudios postados em um grupo de empresários da capital dos calçados, nos quais eles fazem duras críticas à atitude da vice e até às gestões passadas. Afirmam que apóiam totalmente a secretária de Saúde que suspendeu a participação de divinopolitanos em uma feira de rua de lá, alegando o momento pandêmico.  Vão mais longe:  “Nós vamos lá, sim, internamos pacientes, mas pagamos, e o nosso dinheiro fica lá, eles vêm para cá e levam nosso dinheiro. Só sabem fazer gracinha. Que vendam seus produtos lá mesmo”, diz um dos inúmeros comentários. Deu nisso. Falas toscas de um lado e de outro, que em nada contribuem para a integração dos dois municípios.  

Ficou feio 

Difícil falar para quem ficou pior. Para Janete que falou sem pensar, ou para quem gravou, certamente, de forma proposital. Do lado de cá, um comentário tolo ‒ talvez inocente ‒ que se tornou grosseiro. Embora seja de uma autoridade constituída, provoca uma reação desproporcional e do mesmo nível. E não é de hoje que, vira e mexe, essa rivalidade aflora. A continuar assim,  será cada vez mais intensa a disputa sem propósito entre as cidades vizinhas, alimentada, principalmente, por divinopolitanos que não têm noção da importância da união regional. Pode apostar que é maior do que a antiga e burra disputa com Itaúna, fazendo com que a cidade virasse as costas para Divinópolis, passando, então, a integrar a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Atualmente, ao lado de Itatiaiuçu e Pará de Minas, integra o Colar Metropolitano. E pode apostar que boa parte dos nossos políticos não sabe disso e de outros critérios básicos que fazem regiões como o Sul de Minas e o Triângulo Mineiro serem diferenciadas.  Por lá, os representantes do povo não permitem que o ego elevado vede seus olhos e não enxerguem a importância de uma união regional. Não é por acaso que são as duas regiões mais desenvolvidas de Minas Gerais.  

Polo já era 

É inegável que Divinópolis é a principal cidade do Oeste de Minas porque é a maior e indiscutível referência  em saúde e logística. Alguns podem discordar, mas é apenas nesses dois segmentos. Além disso, esse título de polo já está para lá de ultrapassado na opinião de especialistas no assunto. Prova disso é que a própria Nova Serrana, nas suas proximidades, já a tem como referência. E não é só ela. Formiga é outro exemplo. As principais cidades nas regiões de Minas, atualmente, são essenciais de forma institucional e administrativa e, mesmo assim, essa importante demanda vem caindo gradativamente, visto que boa parte dos serviços são feitos pela internet. Assim, já passou da hora de se trocar o "modus operandi” arcaico da geopolítica por geoeconômico. É o que vem fazendo o prefeito de Carmo do Cajuru, Edson Vilela (PSB), inclusive defendeu esta tese para os vereadores na Tribuna da Câmara de Divinópolis na semana passada. Afinal, é para frente que se anda e apenas títulos não trazem nenhum benefício ou retorno para cidade nenhuma. Nem mesmo sendo princesa.  

Reforço interno  

Enquanto uns não saem do lugar, outros caminham a passos largos. O Legislativo em Divinópolis é um desses que avançou neste primeiro semestre. Antes que alguém questione, não me refiro aos nobres vereadores que, achando pouco os bate-bocas e xingamentos, agora partem para os tapas no plenarinho, mas, sim, ao trabalho de gestão em diversos setores da Casa. Organizado e com foco no futuro. Exemplo é a inauguração da rádio interna da Câmara, iniciativa que visa aprimorar a comunicação interna. A ideia de instituir a “Rádio Câmara, a voz da cidadania” foi da Diretoria de Comunicação, visto que há toda estrutura física para a implantação, sem a necessidade de investimentos.  Iniciativa importante, digna de aplausos e prova mais uma vez que o poder público só deixa a desejar se não houver boa vontade e gente capaz de enxergar nos detalhes, às vezes despercebidos, a oportunidade de grandes transformações. 

 

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