Prevenir e planejar

Existe um ditado antigo que diz o seguinte “antes prevenir, do que remediar”. Em outras palavras: é melhor tomar alguma atitude antes que algo aconteça, pois, depois, talvez não tenha solução. E se tem um ditado que é verdadeiro, é esse. Pois, é muito melhor falar (e fazer) de prevenção do que buscar a solução quando o “leite já entornou”. Mas, para se prevenir de algo é preciso planejamento. Quando tudo é planejado, o risco dar errado é bem menor, e as chances de sucesso aumentam consideravelmente. Se tem uma coisa que as gestões nas três esferas do País não fazem é prevenir e muito menos planejar.  Isso se torna mais notório, quando, por exemplo, se ver unidades de saúde e hospitais lotados e tanta gente doente. Seria muito mais fácil e barato se gastar com a prevenção do que milhares de pessoas internadas, doenças crônicas, cirurgias e remédios que custam o olho da cara. Em Divinópolis, para variar, não é diferente. Claro que faltou dinheiro nestes três anos de gestão Galileu Machado (MDB), mas faltou também planejamento. Tudo parece que foi feito meios às pressas. Galileu iniciou seu mandato ainda quando Fernando Pimentel (PT) era governador de Minas Gerais, em 2017, quando o petista entrava no terceiro ano de seu mandato. Período também que começava o confisco dos municípios.

Galileu pegou a Prefeitura quebrada, com um decreto da calamidade financeira, e a suposta dívida que seria de pouco mais de R$ 30 milhões, segundo a secretária de Fazenda (Semfaz), Suzana Xavier, era, na verdade, de R$ 58 milhões. Mas isso não foi o suficiente para o Executivo planejar e se precaver. Em pouco mais de três meses de administração, Galileu já tinha nomeado mais de 215 cargos comissionados sob a justificativa de que, como não sabia se iria ser empossado, não teve governo de transição. Em abril de 2017, o primeiro pacote de economia foi lançado e incluía a redução do quadro de funcionários, promessa essa que nunca saiu do papel. Até aí tudo bem (será?). A coisa começou a complicar mesmo em 2018, quando Pimentel reteve o que podia e o que não podia das prefeituras. O resultado? Só quem teve planejamento sobreviveu a 2018, e terminou o ano com a folha de pagamento dos servidores em dia, além de fornecedores e a folha do 13º salário quitada. O que não foi o caso de Divinópolis.

A cidade simplesmente sucumbiu ao caos. Em novembro do ano passado um segundo pacote de economia foi anunciado e, durante a coletiva de imprensa, a secretária de Fazenda disse: “Nós não estávamos acreditando no que estava acontecendo; de o Governo do Estado reter recursos de nível estadual, para nós isso era inviável, e acreditávamos que ele [governo] iria pagar. Só que isso não aconteceu”. Mesmo tendo ciência da situação, o Município não se precaveu, não planejou. A situação se repete neste ano com a retirada dos camelôs do quarteirão fechado da rua São Paulo. Os vendedores ambulantes foram pegos de surpresa com uma “ordem de despejo”, e o resultado? Confusão. A situação deve se resolver na semana que vem, faltando apenas uma semana para os vendedores desocuparem o local, e com o Natal batendo à porta.

Situações para tirar de experiência, e começar a planejar para o próximo ano. Talvez a palavra de 2020 para o Executivo Municipal seja: planejamento. Afinal, Divinópolis não é uma cidade para ser gerida a “toque de caixa”. A “princesinha do oeste” merece mais do que apenas remediar. É preciso prevenir e planejar.

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