Pressão

Preto no Branco

Pressão 

Audiência pública solicitada pela Associação Comercial e Industrial de Divinópolis (Acid) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e, agora, cobrança do governador. Tomara que, depois disso, a proposta que libera os recursos para finalizar as obras do hospital regional passe a ser prioridade nas discussões entre as autoridades que decidem. Romeu Zema (Novo) fez duras críticas à demora dos deputados para colocar em votação o projeto de lei que inclui no orçamento do Estado o acordo fechado com a Vale de indenização pela tragédia em Brumadinho. Além disso, enfim, admitiu que existe um grupo de deputados contrários. Estava demorando! 

Indispor 

Muitos políticos ‒ sobretudo prefeitos ‒ vinham cobrando do governador essa postura mais firme de exigir atitude da ALMG, uns chegando até a citar que Zema não queria “caçar confusão”, temendo o travamento de outras necessidades do governo. Indispondo com os deputados, poderia ter, como consequência, sua gestão prejudicada. Pensando por este lado, ele não está errado. Todos sabem como funciona a máquina política no Brasil, para não dizer “máfia”.  A Prefeitura depende da boa vontade dos vereadores; os governadores, dos deputados estaduais; e o presidente da República, dos federais. Quando este relacionamento “azeda”, ou os administradores “comem na mão dos legisladores” ou será visto como mau gestor pela  população – que não entende o funcionamento da engrenagem –, porque não conseguirá fazer nada. Lamentável, mas real. Exemplo mais recente foi o do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se aliando ao Centrão, o que ele negava até a morte!  

Parado 

O acordo com a Vale, fechado em R$ 37,5 bilhões, está há 90 dias na Assembleia Legislativa de Minas para ser avaliado ‒ e deputados que, conforme apoiadores de Zema, fazem parte do grupo do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, parecem não ser favoráveis. A explicação dos opositores é que Kalil será provável candidato a governador de Minas nas eleições de 2021 ‒ assim, a disputa com Zema, caso tente a reeleição, já teria começado. Ridículo? Sim, mas há grandes chances de proceder, visto que o próprio hospital regional foi e continua sendo usado como palanque político. Enquanto isso, os “bonitões” se promovem à custa do sofrimento de quem precisa de atendimento pelo SUS e ora a Deus por uma vaga no único hospital que atende na cidade, o Complexo de Saúde São João de Deus. 

 

Andando 

Questionada, a ALMG respondeu que a demora é natural, pois o projeto precisa passar por comissões na Casa, o que é de praxe, antes de ser colocado em votação. Trâmites naturais nas casas legislativas, mas o que se questiona é se realmente seria necessário esse tempo todo. Afinal, o acordo foi fechado no início de fevereiro último e, logo em seguida, enviado à Assembleia por meio de um projeto. No entanto, apenas nesta terça-feira entrou na pauta da Comissão de Fiscalização Orçamentária e Financeira. Certamente por isso o governador entrou em ação. O que precisa agora é que outros interessados ‒ incluindo os representantes dos municípios em que estão instalados os hospitais regionais ‒ façam coro a Zema, ou estão também pensando em 2022 e não querem que nada atrapalhe?

Resposta?

O prefeito Gleidson Azevedo (PSC) ‒ à frente da principal cidade da macro Oeste, responsável por atender mais 53 municípios na média e alta complexidade na saúde ‒  convidou os demais prefeitos e secretários de Saúde para protestar em Belo Horizonte para agilizar o andamento da proposta. Adivinha se alguém pelo menos respondeu? Lógico que não. Na verdade, para eles, é cômodo, visto que a carga pesada só sobra para Divinópolis. Além disso, há o temor de se perder as emendas dos nobres deputados, é claro, distribuídas a bel-prazer em troca de apoio político. 

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