Presos na ‘Thanatos’ já estão no Floramar

 

Gisele Souto 

Já estão no presídio Floramar os cinco presos na operação “Thanatos”, desencadeada ontem, pela Polícia Civil e o Ministério Público. A megaoperação, que foi para as ruas ainda na madrugada, teve o objetivo de combater um dos maiores esquemas de corrupção já vistos no poder público municipal de Divinópolis, conforme divulgado pela polícia. 

Os atos criminosos envolvem quatro agentes funerários da Prefeitura de Divinópolis, que teriam se associado para cometer crimes com um grupo de pessoas para venda de produtos ligados à prestação dos serviços funerários, como flores. Além deles, o gerente de uma floricultura no bairro Santa Clara foi preso. A proprietária, que teria conhecimento do esquema, foi ouvida e liberada porque não teria participação. 

Os agentes recebiam propina na transferência e venda de produtos por particulares do mesmo ramo de atuação, ao invés de venderem produtos do próprio Serviço do Luto Municipal. 

Danos 

Os danos, de acordo com a Polícia Civil, são "absurdos" e estimados até o momento em R$ 300 mil, mas o montante pode ser ainda maior.  

Foram cumpridas 27 medidas cautelares, sendo 21 mandados de busca e cinco de prisão. Outros podem ser expedidos conforme o andamento das investigações. O delegado regional Leonardo Pio e o promotor de Justiça Gilberto Osório informaram que existem outras pessoas envolvidas. Disseram ainda que a força-tarefa segue com os inquéritos e outras podem ser presas nos próximos dias.  

Os alvos da "Thanatos" foram os agentes funerários, floriculturas e empresários do ramo. O delegado e o promotor deixam claro que os agentes agiram de forma independente entre eles, sem ter conivência do Poder Executivo, porém é investigado o possível conhecimento de algum agente público ligado à Prefeitura.   

Presos 

 A investigação começou no governo Vladimir Azevedo (PSDB), há cerca de um ano, a pedido do próprio Executivo, resultando num vasto material, incluindo grampos telefônicos. Os servidores presos são todos concursados. 

 Como funcionava  

O promotor Gilberto Osório detalhou como funcionava o esquema. Segundo ele, os agentes prestigiavam determinada empresa que atua no ramo de floricultura mediante um pagamento, que eles chamavam de comissão, mas na verdade é propina. Ainda segundo o promotor, ela era indicada para realização de todos os serviços para a família enlutada, a um preço bem maior. 

— Todos vão responder por suas responsabilidades. É lamentável que num momento de tanto sofrimento passe uma situação descabida desta — completa.  

Devido à quantidade de famílias que podem ter sido lesadas, não foi possível identificá-las, mas todas as pessoas que se sentiram prejudicadas ou passaram por esta situação podem procurar o Ministério Público ou a Polícia Civil. 

O delegado Leonardo Pio reforça que não há um número determinado de vítimas porque se trata de diversos esquemas dentro de uma mesma unidade, como vendas de urnas e até o custo total do sepultamento. Ele reforça que a Prefeitura tem colaborado muito com as apurações. 

—Todos os valores serão apurados nos próximos dias pela perícia contábil para que os investigados possam ressarcir as vítimas e os cofres públicos — reforça. 

Os envolvidos respondem por corrupção, prevaricação e associação criminosa.  

As medidas cautelares foram deferidas pelo juiz da 2ª Vara Criminal, Mauro Riuji.  

Prefeitura  

A Prefeitura de Divinópolis, que administra o Serviço Municipal do Luto, alvo da operação "Thanatos", divulgou nota sobre o caso. A administração municipal afirma que acompanha a ação, que, segundo o governo, "investiga irregularidades cometidas por servidores municipais". 

— É importante destacar que o início das investigações se deu a partir de uma denúncia oficializada pelo próprio Município em 2016. Desde esse período, a Prefeitura sempre se colocou ao inteiro dispor das autoridades para auxiliar nas investigações e esclarecer os fatos. O Serviço Municipal do Luto é uma atividade considerada essencial e continua funcionando dentro da normalidade e não abrange o quadro completo de funcionários do setor — diz. 

 

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