Prêmio de consolação

José Carlos de Oliveira

Com 65 pontos ganhos, na terceira colocação do Campeonato Brasileiro, em sua Série A (sem computar o resultado da partida da noite de ontem, entre São Paulo e Botafogo, que se enfrentaram no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro), o Atlético já garantiu, na pior das hipóteses, a quarta colocação no torneio nacional, que lhe dará, além de uma boa grana, o direito de entrar na Copa Libertadores 2021 já a partir da fase de grupos, sem passar pela aventura das fases eliminatórias, que muito desgosto já deram a muitos clubes, inclusive ao próprio Atlético.

Muito pouco

Fosse em outros tempos, a posição entre os primeiros na tabela seria para ser comemorada pela Massa alvinegra, mas não nas circunstâncias atuais, pois soa mais como um prêmio de consolação para quem dormiu sonhando alto e, quando acordou, estava vivendo era um pesadelo. A alta soma investida pelo clube, com a ajuda de empresários torcedores (mais de 200 milhões de reais somente em contratações, sem contar com luvas e salários milionários para a comissão técnica e jogadores), merecia bem mais que uma simples vaga para a fase de grupos da Libertadores. Foi muito pouco para quem gastou tubos de dinheiro sonhando com o Bi.

Porta dos fundos

De saída da Cidade do Galo, o técnico Jorge Sampaoli e sua milionária comissão técnica não deixarão saudade alguma. Chegaram prometendo muito, cobrando muito, e não deram nenhum retorno em troca, pois que se mandem logo daqui e vão pousar sua arrogância em outro quintal. Chega de o atleticano ter que aturar suas presenças por aqui. Triste fim.

Fim melancólico

E a era Sampaoli não poderia ter um fim que não o do último domingo, quando o treinador e seu auxiliar meio que forçaram suas expulsões lá em Recife. Não viram o gol de Marrony que deu a vitória ao Galo e já não estarão no banco de reservas para a partida desta quinta-feira, no Mineirão, contra o Palmeiras, na despedida da temporada de 2020. 

Sampaoli sai pela porta dos fundos, quando poderia ter se consagrado em Minas Gerais e caído nas graças da fiel torcida atleticana. Tivessem ele e seus auxiliares entregue metade do que prometeram seriam todos eles carregados nos ombros da Massa.

No colo do Urubu

E este Campeonato Brasileiro de 2020 entrará para a história como sendo o ano em que ninguém quis ser campeão. A taça esteve nas mãos de São Paulo, Atlético e Internacional, e ninguém quis saber dela, que acabou caindo no colo do Urubu, que poderá festejar o título, o segundo seguido, sem ter feito por merecer tal proeza.

A vitória de domingo, 2 a 1 sobre o Internacional, de virada, deixa o Flamengo com uma mão na taça, e só não falo as duas porque em futebol tudo pode acontecer e nada impede que o São Paulo apronte alguma na rodada deste meio de semana.

As chances

Com as posições invertidas, agora é o Internacional que corre contra o prejuízo, com dois pontos atrás na tabela (71 a 69). Mas que os flamenguistas não comemorem antes do tempo, porque neste maluco Brasileirão 2020 tudo pode acontecer, até mesmo uma nova virada do Colorado gaúcho. E não é nada impossível de acontecer, basta o Inter vencer o Corinthians em casa, no Beira Rio, e torcer para que o São Paulo arranque pelo menos um empate em seu duelo com o Flamengo, em partida que será disputada no Morumbi.

Para não se esquecer

Mas a única verdade que fica deste Brasileirão é a decepção de atleticanos e são-paulinos, que em determinado momento da competição eram apontados como prováveis campeões, mas perderam força ao longo das rodadas e entregaram o ouro para os inimigos ‒ esta, sim, a única e grande verdade, e decepção, que fica.

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