Prefeitura encontra dificuldade para comprar medicamentos

Moradores relatam que não encontram determinados remédios na Farmacinha

Matheus Augusto

Quem vai à Farmacinha em busca de seus medicamentos pode encontrar dificuldades. Moradores relatam a ausência de alguns remédios importantes para os tratamentos que recebem. O problema, segundo a Prefeitura, é causado pela dificuldade de encontrar os medicamentos junto aos fornecedores ‒ e, quando encontra, algumas distribuidoras atrasam a entrega.

Dificuldades

A Prefeitura revela três motivos que contribuem para a falta de alguns medicamentos, nenhum deles financeiro.  O primeiro são os pregões eletrônicos, que estão ocorrendo de maneira fracionada. O processo é considerado mais burocrático.

— Presencialmente era possível realizar o pregão de 100 produtos, on-line ocorre de no máximo 50 produtos e leva mais tempo o processo — explica o Executivo.

Outro motivo é o atraso por parte das distribuidoras. Segundo a Prefeitura, nesses casos, as empresas já foram notificadas pelo setor jurídico do Município.

Por fim, outro problema enfrentado atualmente é a própria falta de medicamentos para aquisição. 

— Muitos produtos não estão sendo encontrados no mercado — explicou.

Alguns dos remédios em falta, informou a Prefeitura, são: Budesonida 200mcg caps para inalação, Cloreto de potássio 600mg cp, Fenobarbital 100mg cp, Heparina 5000UI/0,25ml subcutânea e Permanganato de potássio 100mg cp.

Cobrança

O problema, inclusive, já foi levado ao Plenário da Câmara pelo vereador Ademir Silva (MDB), na quinta-feira, 17. Ademir, apesar de elogiar “o bom trabalho que a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) tem feito”, criticou a situação encontrada por ele no local, que visitou na manhã do dia de seu pronunciamento.

— Vimos, na porta da Farmacinha, muita gente aguardando na fila para receber remédios. (...) Infelizmente, lá na porta, encontramos a relação dos remédios que estão faltando. (...) Mais ou menos, 25% dos remédios que são fornecidos pela Farmacinha estão em falta — relatou, mostrando uma cópia do documento.

Entre as medicações ausentes estavam amoxicilina e cloreto de potássio, citou. Sua afirmação foi feita após a prestação de contas da Semusa. Assim, garante, o problema não é de natureza financeira, mas de planejamento.

— Na prestação de contas, vimos aqui que não é por falta de dinheiro. Infelizmente, falta remédio por falta de gestão, por não pensar que pode faltar daqui dois meses e fazer uma compra antecipada. É pensar que pode ocorrer algo de errado na distribuição desses remédios, especialmente neste momento pandêmico que estamos vivendo — citou o vereador.

Para Ademir, a secretaria, durante a crise sanitária, deveria evitar que ocorressem situações como a relatada, além de prover os medicamentos em falta.

— Em momentos de crise, de pandemia, quem está pagando a conta e sofrendo é o povo. É a pessoa mais pobre, que precisa comprar remédio, não tem o recurso, recorre à Farmacinha, tem direito, chega lá e não tem o remédio. Tem que voltar para casa e esperar um mês, dois meses, a boa vontade (...) — criticou o emedebista.

Silva ainda citou outros problemas enfrentados na unidade, como aglomerações e atraso no atendimento.

— Para que tem horário marcado se não atende no horário marcado? — perguntou.

Por fim, o edil voltou a cobrar uma melhor organização do atendimento, além de providências para a reposição do estoque. 

— Se não é falta de recursos, vamos colocar a mão no bolso e comprar esses medicamentos — encerrou.

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