Prefeitura de Divinópolis alerta para golpes de calceteiros

 

 Ricardo Welbert 

A Prefeitura de Divinópolis fez nesta segunda-feira, 19, um alerta à população sobre a atuação ilegal de alguns calceteiros – profissionais que fazem calçamentos de ruas. Em setembro do ano passado o Agora mostrou as histórias de moradores de várias regiões da cidade que afirmam ter sido vítimas de golpes.

Em nota, a Secretaria de Operações Urbanas (Semop) afirma que o trabalho de calçar algumas ruas é contratado pela população. O Município fornece pedras e fiscaliza.

O diretor Rodrigo Assis explica que, antes de iniciar o contrato com o calceteiro, o cidadão precisa procurar o setor de calçamento da Semop para saber se o operário é autorizado pelo Município.

— É importante a população saber se o profissional está legalizado na Prefeitura, para fazermos a fiscalização — diz.

 Parte técnica

A Semop informa que cabe à Prefeitura fazer o corte do terreno, croqui e levantamento topográfico, quando necessário, além da fiscalização dos calçamentos em andamento.

— Nós acompanhamos as obras que estão cadastradas no Município. Por isso, é importante que a população contrate os calceteiros que estão autorizados, para que a Prefeitura tenha condições de fiscalizar os trabalhos — pontua.

Ainda segundo a Semop, calceteiros que realizam obras de maneira incorreta ou de forma irregular são notificados pela Semop e impedidos de atuar no Município.

— São bloqueados do exercício da função aqueles que não rejuntam meio-fio, não fazem as sarjetas ou deixam o calçamento incorreto de alguma forma — explica.

Para saber se o calceteiro é autorizado, a população deve entrar em contato com o setor de calçamento da Semop pelo telefone 3221-1088 ou ir à rua José Balbino Pereira, 171, no bairro Espírito Santo.

 Casos 

Contratantes entrevistados pelo Agora em setembro do ano passado disseram que, após receberem antecipadamente pelo serviço, os calceteiros sumiram sem terminar as obras. Eles afirmaram ainda que os profissionais foram indicados a eles pela Prefeitura, que negou.

Uma dessas vítimas foi o técnico em laboratório Francisco Alves, que mora em um prédio no cruzamento das ruas Cabo José Correia dos Reis e José Paulino, no bairro Realengo. Ele conta que a obra em frente à construção começou há mais de um ano e está parada.

— O custo total foi de R$ 850 e a minha parte paga foi de R$ 280. O cara abandonou o serviço e sumiu. Pelo que sei, esses calceteiros estão aplicando esse golpe em vários bairros de Divinópolis — diz.

O pintor Vailto Ferreira Magela mora na rua Ulisses Guimarães, no São Lucas. Ele guarda documentos que comprovam a contratação e o pagamento de um calceteiro que largou o serviço pela metade.

— O calceteiro fechou o serviço com a gente por R$ 1,1 mil. Porém, pagamos R$ 1,5 mil porque ele teria que fazer o eixo da rua. Esse valor foi dividido entre os moradores e quase todo mundo pagou R$ 400 a mais. Só os donos de dois lotes não efetuaram o pagamento — conta.

Com o dinheiro no bolso, o calceteiro fez o corte da rua e instalou as pedras nos trechos que ficam diante das propriedades cujos donos pagaram pelo serviço. Diante dos imóveis dos dois que não pagaram, ele não calçou. Mas também não devolveu o dinheiro do cruzamento que não foi feito.

– Simplesmente foi embora levando o dinheiro nosso. Por causa disso, a rua está estragando no tempo – explica.

Vanilto mostra a nota promissória de R$ 1,5 mil assinada pelo calceteiro e a folha de adesão da vizinhança, com os nomes dos vizinhos que contribuíram.

– A Prefeitura autorizou a contratação do calceteiro, mas não acompanhou a obra. Se ele ainda não tinha recebido o dinheiro de todo mundo, não deveria nem ter começado o trabalho. Normalmente, uma rua dessas fica pronta em uma semana, mas esta começou em janeiro e terminou em fevereiro – diz ele, acrescentando que fez uma reclamação na Prefeitura e o calceteiro chegou a ter o direito de trabalhar suspenso temporariamente.

Ainda segundo Vailton, no mesmo bairro as ruas Ipê Roxo e Samambaia também tiveram vítimas.

Renato Bernardes acrescenta um relato de problema parecido na rua Lago Azul.

– O calceteiro só começou a fazer o calçamento e parou – diz.

Já o motorista Isaias Batista relata o problema na rua Carijós, no bairro Candidés.

— Eu paguei tudo e não tem nem uma pedra de calçamento na minha porta. A situação é a mesma com os outros moradores do bairro. No dia 11 de setembro, eu estive na Prefeitura e a atendente ficou surpresa quando eu disse que a obra não tinha começado, porque ela achava que o calceteiro havia se comprometido a começar o serviço no dia 8. Então, ela me disse que ligaria para ele de novo. Mas até hoje ele não apareceu — relata.  

A declaração foi assinada em 17 de julho deste ano.

 Contatos em vão

 Os moradores entrevistados forneceram à reportagem os celulares informados pelo calceteiros quando as obras começaram. Nas tentativas de contato telefônico, todas as chamadas foram encaminhadas à caixa de mensagem. Mensagens foram deixadas a um deles no aplicativo WhatsApp. Não houve resposta.

 Nada com isso

Em nota à época, a Prefeitura afirmou que não indica calceteiros nem participa das negociações de valores entre eles e os moradores.

– O Município apenas fiscaliza a obra para saber se está dentro das especificações – finalizou.

 

 

 

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