Prefeito Gleidson e três vereadores estão entre os denunciados por crime de perseguição contra Lohanna, Laiz e Warlon

Chefe do Executivo afirmou que não está ligando para a investigação; Flávio Marra, Diego Espino e Eduardo Azevedo devem ser ouvidos amanhã

Bruno Bueno

Os ataques sofridos pela vereadora Lohanna França (CDN), pela candidata à Prefeitura em 2020 Laiz Soares (Solidariedade) e o presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Warlon Elias, ainda continuam dando o que falar. Na época, as figuras políticas foram acusadas de serem responsáveis pelo fechamento do comércio não essencial, que foi impedido de funcionar por decisão vinda do governo do Estado. Lohanna, Laiz e Warlon receberam ameaças de morte e tiveram que ser escoltados pela polícia. Após os fatos, eles fizeram boletins de ocorrência na Polícia Civil (PC) denunciando os possíveis autores

O Agora teve acesso com exclusividade aos documentos dos boletins de ocorrência  e constatou que, entre os investigados pelos ataques, está o prefeito Gleidson Azevedo (PSC), acusado de perseguição contra o presidente do CMS, Warlon Elias. Além do chefe do Executivo, os vereadores Diego Espino (PSL), Flávio Marra (Patriota) e Eduardo Azevedo (PSC) foram acusados por Warlon. O último, irmão do prefeito, também foi denunciado por Laiz Soares, que afirma que o parlamentar incitou seus apoiadores a realizarem os ataques contra ela. Lohanna França (CDN) não denunciou nenhuma figura política.

Gleidson Azevedo

O prefeito Gleidson Azevedo (PSC) foi, de longe, o mais citado no boletim de ocorrência feito pelo presidente da CMS. Warlon afirma que o chefe do Executivo está o difamando publicamente, incitando que seus apoiadores façam o mesmo. 

Ao ser questionado sobre as acusações, o prefeito disse que não vai perder sua noite de sono por conta da investigação. Ele ainda afirmou que não está se importando com as denúncias.

— O Warlon fez isso porque queria o cargo de secretário de Saúde, coisa que eu nunca vou dar pra ele. Já a Laiz, ela queria ganhar as eleições, depois que perdeu fica choramingando por aí — afirmou.

Gleidson também salientou que comparecerá à delegacia se for intimado.

— Não fiz nada, logo não tenho o que temer. Não fui informado sobre essa investigação e estou pouco me lixando. Se for chamado a depor, como bom cidadão, vou sem medo e falo o que me perguntarem, mas estou de consciência limpa. Eles que arquem com as consequências, principalmente a Laiz — disse.

Diego Espino

Um dos vereadores denunciados é Diego Espino (PSL). O parlamentar, que está em sua primeira legislatura, foi citado no boletim de ocorrência registrado por Warlon. O presidente do CMS afirmou que deseja representar criminalmente contra o vereador, mas não disse explicitamente por qual motivo.

A reportagem questionou o parlamentar. 

— Não quero falar sobre o assunto, mas aproveito para dizer que não fiz nada e não sei por que ele representou criminalmente contra mim. Além disso, não recebi nenhum tipo de intimação da Polícia Civil — disse. 

Segundo apuração exclusiva do Agora, o vereador deve ser o próximo a ser chamado a depor. Isso ainda hoje.

Eduardo Azevedo 

Outro parlamentar que deve ser convocado a depor, amanhã, é Eduardo Azevedo (PSC). O vereador, que também exerce seu primeiro mandato, está sendo representado criminalmente por Laiz Soares e Warlon. 

A ex-candidata à Prefeitura afirma que Eduardo incitou seus apoiadores a compartilhar suas falas, tendo em vista que, segundo Laiz, ele é uma pessoa muito influente. Ainda de acordo com o boletim registrado pela ex-candidata, o vereador teria feito isso após dizer, em reunião da Câmara no dia 15 de abril, que a denúncia de fechamento do comércio havia sido feita pelo presidente do CMS e por uma ex-candidata à Prefeitura. Já Warlon não citou no boletim de ocorrência qual crime Eduardo teria cometido.

O Agora também questionou o parlamentar sobre as acusações. Eduardo afirmou que não tem envolvimento com o caso e está disposto a prestar declarações à Polícia Civil se for intimado.

— Estou com a consciência tranquila de que não fiz nada de errado e estou disposto a comparecer à delegacia se me chamarem. Não incitei e nem pedi a ninguém para fazer nada. Quando tenho que me dirigir a uma pessoa, vou nas minhas redes sociais e falo, sem precisar de intermediador. Por isso, não tenho nada a temer — afirmou.

O vereador também ressaltou que Laiz, Lohanna e Warlon têm que arcar com as consequências de suas falas.

— Já dizia a Terceira Lei de Newton:  toda ação gera uma reação. Laiz e Lohanna foram nas redes sociais e disseram para o comércio fechar. Não tem como, isso gera repercussão. Quanto ao Warlon, a denúncia dele ao Ministério Público fez com que o Estado mandasse, através do Tribunal de Justiça, a liminar para fechar os estabelecimentos. Eles têm que arcar com seus posicionamentos, porque quando eu posto algo numa rede social ou faço uma denúncia, eu sei que terei consequências — ressaltou.

Eduardo também justificou a denúncia de Laiz.

— Naquele dia eu só falei a verdade, dei meu posicionamento. Falei sobre a denúncia do Warlon e disse que a Laiz estava falando do Gleidson por ela ter perdido a eleição. Ela estava de mimimi. Contudo, eu falei e pronto, não incitei e mandei ninguém a fazer algo contra eles. Isso não é responsabilidade minha.

Flávio Marra

Por fim, o último parlamentar citado nos boletins de ocorrência foi Flávio Marra (Patriota). O vereador, em seu primeiro mandato, também deve ser chamado a depor amanhã. Ele está sendo representado criminalmente por Warlon, que não citou qual crime o vereador teria cometido.

Nas redes sociais, populares especulam que o parlamentar também teria incitado seus apoiadores de que o presidente do Conselho Municipal de Saúde teria sido o responsável pelo fechamento do comércio.

Questionado pelo Agora, o vereador afirmou que não entendeu o motivo da representação criminal feita por Warlon.

— Eu não sei nem o motivo por que ele está representando contra mim. Em hora nenhuma eu falei dele, da Comissão Municipal de Saúde, ou de nenhuma secretaria. Na minha opinião, ele está querendo aparecer. Ele pode fazer quantas representações criminais quiser, eu não falei nada diretamente pra ele. Se a carapuça serviu, eu não posso fazer nada. Eu realmente não entendi nada sobre essa representação — explicou.

Quem já compareceu à delegacia?

Joe Augusto de Paula, conhecido como “Joe só alegria”, denunciado como um dos principais idealizadores dos ataques que teriam publicado ofensas nas redes sociais, foi intimado a comparecer à  delegacia na manhã da última sexta, 14. Acompanhado de sua advogada, o músico, de 51 anos, afirmou que não vai se pronunciar no momento e que só falará em juízo.

Além dele, Anderson Sbampato e Flávio Lucas de Moura, conhecido como “cebola”, que teriam feito postagens nas redes sociais caluniando Lohanna, promovendo comentários de outras pessoas, também compareceram à delegacia na última sexta-feira. Os dois também disseram que só vão se pronunciar em juízo. Os três foram denunciados pela parlamentar.

Segundo os boletins de ocorrência, também foram acusados Luciano de Souza e Sheila Lelis, que teriam publicado ofensas nas redes sociais. Cristiano Neves, não sendo identificado qual crime teria cometido, também foi denunciado por Warlon. Não se tem previsão de quando eles serão chamados a depor.

O Agora continua acompanhando o desdobramento da investigação e traz todos os detalhes nas nossas mídias digitais e na versão impressa.

 

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