Prefeito e as ruas esburacadas

Bob Clementino 

A rua São João del-Rei é uma via alternativa para se chegar à Prefeitura, à Copasa, à Uemg, ao Cefet, ao parque de exposições, ao Divinópolis Clube e a outros bairros. Margeia o rio Itapecerica e liga o Centro, via bairro Esplanada, àqueles endereços. A rua, como quase todas as demais de Divinópolis, está esburacada e com a calçada pública dominada pelo matagal. Refiro-me especificamente à rua São del-Rei porque é justamente por ela que o prefeito Galileu Machado (MDB) passa para fugir do trânsito das ruas Amazonas, Castro Alves e Paraná.

Deve ser desanimador para o alcaide utilizar esta via, sacolejando dentro do carro oficial. Sorte dele é que o carro que se arrebenta nos buracos é do Município, e não do seu patrimônio pessoal.

Pedra no sapato do prefeito

Não creio que a intenção do deputado Cleitinho Azevedo (CDN) e do vereador Matheus Costa, mesmo partido, fosse a de criar, em pleno ano eleitoral, um embaraço político para Galileu Machado, mas criaram! Com as ruas da cidade esburacadas, em cada buraco que os motoristas passam com seus veículos, eles lembram que o alcaide não aceitou a usina de asfalto quente que a dupla Cleitinho e Matheus conseguiu de graça para a Prefeitura, por meio do senador Carlos Viana (PSD). E, para piorar, chega a notícia de que prefeito de Carmo do Cajuru, Edson Vilela (PSB), aceita a usina. De novo a observação: que falta faz sensatez ao prefeito Galileu e à sua assessoria!

Hospital público: 2012

A ideia inicial do então prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) não era construir um hospital, e sim comprar o Hospital Santa Mônica e adaptá-lo aos interesses do Município e região. Mas alguns vereadores da oposição colocaram-se contra a compra. Para inviabilizar a negociação, apresentaram vários óbices, desde a alegação de um possível preço superestimado do imóvel até o argumento de que o prédio do hospital haveria de ser horizontal. Enfim, uma pena não ter se consumado o intento do prefeito Vladimir, pois, há sete anos, os munícipes poderiam estar usando os serviços médico-hospitalares da instituição.

Quanto ao argumento de que o valor do imóvel estava superestimado, bastava submeter à apreciação do Tribunal de Contas da União (TCU) e/ou do Ministério Público (MP). Quanto à justificativa de que o hospital deveria ser horizontal, também não se sustenta, pois até hoje o hospital está aí, como antes, funcionando e bem! Lamentável que a autoridade municipal à época tenha cedido ao discurso da oposição e, agora, sete anos depois, carreguemos nós, contribuintes, nas costas, uma construção de um hospital horizontal moderno, porém, emperrado e que não passa de um elefante branco.

Rinaldo Valério estava certo!

O vice-prefeito de Divinópolis, Rinaldo Valério (DC), disse em janeiro a mineradora Vale vai assumir a conclusão das obras do Hospital Regional de Divinópolis, como compensação pelos prejuízos causados ao Estado, quando houve o rompimento das barragens de resíduos sólidos: prejuízos ambientais, sociais e humanos que foram provocados pelo acidente em Mariana. Agora, a Fundação Renova, que tem a missão de implementar e gerir os programas de reparação aos impactados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, já vai terminar as obras do Hospital Regional de Governador Valadares, seguindo a política de compensação e reparação da empresa Vale.

Por que Governador Valadares

É justo que a cidade na região Leste de Minas, que é cortada pelo rio Doce (e o rompimento de barragem em Mariana pode ter causado ao rio e aos moradores ribeirinhos, danos irreversíveis), tenha o hospital terminado pela Fundação Renova...

Mas

O vice-prefeito, Rinaldo Valério, está mantendo contato com o governo estadual, pois o hospital público de Divinópolis é o segundo mais adiantado, depois do de Valadares, e está cogitado para ser o próximo a terminar. Por isso, Rinaldo defende que o prefeito Galileu, vereadores, prefeitos e deputados da região também se mobilizem para que o hospital público de Divinópolis seja o segundo a ser terminado pela política de compensação da Vale. “Não podemos perder esta oportunidade”, alerta Rinaldo Valério, que é médico.

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