Preço da carne bovina dispara

Exportações para China são uma das causas

Jorge Guimarães

Quem estava pensando naquele churrasco de confraternização de fim de ano já pode pegar a calculadora e refazer as contas, pois o preço da carne bovina disparou nas duas últimas semanas. O motivo é um surto de peste suína africana na Ásia que, somado à abertura do mercado chinês no Brasil e à alta do dólar – que estimula as exportações –, fez o preço da carne ter aumentos variados, entre 20 e 30%, entre os cortes de primeira e de segunda.

Preços

Em uma rede de supermercados da cidade, ontem, em promoção estavam a maçã de peito e músculo, comercializados a R$ 14,90, e o fígado bovino, a R$ 9,90. Os demais cortes estavam com preços normais. O quilo do filé mignon saía por R$ 44,90 e o da picanha a R$ 49,90. Já o contrafilé estava a R$ 36,90, a alcatra, R$ 29,90, e a chã de dentro era vendida a R$ 27,90; a chã de fora, por sua vez, estava a R$ 23,90, o patinho a R$ 25,90, lagarto a R$ 26,90 e o coió a R$ 19,90.

Para os almoços em família, aos domingos, nos quais um dos pratos era o tradicional churrasco, o meu cardápio agora é a pesquisa de preços. Por que não trocar por peixe, frango ou mesmo a carne de porco? Economizar é o melhor tempero — disse a aposentada Irani Gontijo.

Opções

Muitas são as alternativas em mudanças de cardápio quando o bolso aperta. As carnes suínas são opção, ainda mais em se tratando das ceias de fim de ano. Na mesma loja de rede, o lombo completo saía a R$ 14,90, e o aparado a R$ 17,90. Já o pernil sem osso era comercializado a R$ 15,90 e a costelinha, por sua vez, era vendida a R$ 16,90.

A carne de frango também é uma ótima opção. Ontem, o filé de frango era vendido a partir de R$ 8,59, e o frango a passarinho saía por R$ 8,99. Já a asa era encontrada a R$ 10,99, a coxa e sobrecoxa a R$ 5,99.

O pescado também é uma boa escolha para experimentar novos sabores. O filé de tilápia, por exemplo, era vendido a partir de R$ 13,98. Já pedaços fritos de piramutaba, o tradicional cascudo, saíam a R$ 11,98. E um dos pescados mais consumidos, a sardinha, era comercializado a R$ 6,99.

Restaurantes

Essa oscilação no preço das carnes traz impactos também para bares e restaurantes, conforme explica o diretor de desenvolvimento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Lucas Pêgo.

Não há mágica, com o aumento do preço da carne em quase 50%, os estabelecimentos que não conseguem adaptar os seus cardápios são obrigados a repassar o preço para o consumidor — avaliou.

Para um empresário do ramo, Rolando Meneses, a variação do cardápio é a opção mais viável para não repassar os aumentos para os clientes.

Estamos no mercado há anos e já temos certa experiência para lidar com situações parecidas, que não é a primeira e nem vai ser a última. A variação no cardápio é a principal saída para encarar as altas. Imagine uma parmegiana de peixe, um churrasco de tilápia, coxa e sobrecoxa assadas ao molho de cebola e outras receitas mais? Com certeza é de dar água na boca — disse.

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