Pra valer a pena

Leila Rodrigues

E então alguém pergunta, vale a pena? A pergunta nem é para você. Mas você vai embora com ela na cabeça. E a viagem é longa. Você faz todas as substituições possíveis e imagináveis. Você se pergunta se vale a pena a sua vida, o seu trabalho, o seu sacrifício diário, o seu estresse, as suas “cedidas”, enfim, o “valer a pena” toca nas nossas feridas. E, geralmente, terminamos sem saber se, realmente, vale a pena. 

Vale a pena tanto sacrifício? Vale a pena esperar? Vale a pena esbravejar? Vale a pena correr tanto assim? Vale a pena gastar sua energia com isso? Vale a pena o preço que se paga? Vale a pena o cansaço? Vale a pena sofrer? 

Sabemos que tudo nesta vida tem um preço. E, como bons pagadores, pagamos, sem perceber, pelas nossas escolhas. Muitas vezes pagamos caro demais. Outras vezes pagamos por tempo demais. De uma forma ou de outra, sempre pagamos. A vida não permite devedores. Ela nos cobra de alguma forma. E nunca esquece os juros. 

Contudo, o “nove’s fora” da vida é saber se vale a pena? 

Vale a pena extrapolar seus limites e depois pagar caro para consertar o estrago? Vale a pena impor suas vontades e acabar sozinho no meio da multidão? Vale a pena o cansaço, a dor, a inércia, a mentira, a teimosia e o ciúme? Será que vale a pena ganhar os presentes e perder as presenças? 

Vale a pena ganhar o sucesso e perder a saúde, a família ou as pessoas que amamos? Vale a pena o topo, se junto com ele está a solidão? 

Para valer a pena, há que ser leve. Há que ter sorriso, choro, emoção, noite de sono tranquilo. Para valer a pena, é preciso que haja abraços calorosos, olhares festivos e braços que aconcheguem de verdade. Para valer a pena é preciso que haja reconhecimento, gratidão, compaixão ou alguém que diga simplesmente muito obrigado. Para valer a pena, tem que correr nas veias, tem que brilhar os olhos e disparar o coração. Para valer a pena tem que haver o sorriso de alguém que amamos na linha de chegada, ou do outro lado do mundo torcendo por nós.  Para valer a pena é preciso haver amor. 

Caso contrário, todo sacrifício será em vão. Caso contrário é tudo obrigação, tarefa cumprida para ganhar algo em troca. Moeda. Acordo que fazemos com a vida para obtermos o que nos convém. E a conveniência? Ah, essa está muito longe de ser felicidade. Está muito longe de fazer valer a pena!

leila.palavras@gmail.com

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