Povo em último lugar

Editorial

O cenário político de Divinópolis é cada vez mais caótico. A necessidade de aparecer dos políticos está extrapolando os limites de suas funções e começando a prejudicar a cidade. Em outras palavras, está ridículo. Nesta briga de egos, em último lugar está o povo. E incluído nesta guerra está o embate sem fim entre o deputado estadual Cleitinho Azevedo (CDN) e o prefeito Galileu Machado (MDB). Desde que Galileu tomou posse, em 2017 – na época Cleitinho havia sido eleito vereador –, o “santo” dos dois já não batia. É verdade que o deputado, quando exercia sua função como vereador, fez denúncias válidas, como o “cemitério de carros” que havia no pátio da Prefeitura. Mas é verdade também que em muitas, ele extrapolou suas funções, como quando pegou uma retroescavadeira e tentou limpar a Lagoa do Sidil. Na época, Cleitinho, gravava, postava em suas redes sociais e Galileu se mantinha calado.

Acontece que, de uns tempos para cá, o prefeito “descobriu” as redes sociais, e a força que elas têm e adotou uma postura diferente. Qualquer um que distorça alguma informação relacionada ao seu governo, ele rebate praticamente na hora. Justo! Afinal, Galileu tomou bastante “paulada” dos vereadores – algumas injustas – e até demorou para começar a reagir. Mas acontece também que Cleitinho “fez escola” em Divinópolis e, logo após ter sido eleito deputado estadual, seu suplente Matheus Costa foi quem assumiu a cadeira na Câmara. Depois de sua posse, Matheus mostrou que não estava para brincadeira. Já gravou vídeo atacando servidores, prefeito, secretário de esportes, enfim, a guerra de rede social ganhou mais um protagonista em 2019.

Pois bem, o que mais espanta é que o embate entre os três – Matheus e Cleitinho contra Galileu – tem muitos espectadores, que, infelizmente, aplaudem este tipo de conduta dos representantes do povo. Ontem, essa guerra ganhou mais um capítulo. Com a novela “usina de asfalto”, protagonizada por Matheus Costa via Cleitinho a coisa não parou. Durante uma coletiva de imprensa na Prefeitura, ontem, todos os limites foram extrapolados – de espaço, tempo e funções – culminado em cena digna de ter sido filmada e guardada por toda a eternidade. A coisa esquentou tanto que o Executivo acionou a Polícia Militar (PM) para retirar o parlamentar do prédio, pois ele queria de todo jeito participar da coletiva de imprensa. Logo após o episódio, o vereador prometeu acionar o jurídico da Câmara contra o prefeito.

A grande pergunta é: o que Divinópolis ganha com tudo isso? O que a população está ganhando com essa necessidade tamanha dos políticos de “aparecerem”? O que o povo recebe com essa briga de egos? Ambos estão, de fato, exercendo as funções que lhes cabem? A única conclusão que dá para tirar disso tudo é que cada um está mais mergulhado em seu projeto pessoal e esquecendo-se que existe uma cidade beirando os 250 mil habitantes, aguardando para ser representada no poder público. E, diante de tal vexame, só fica o pedido: cresçam, mas não apareçam, amadureçam, pois 2020 está aí e as eleições também! 

Comentários
×