Poupança volta a ter saques maiores que os depósitos

 

Jorge Guimarães

Uma das aplicações mais tradicionais das famílias brasileiras, a Caderneta de Poupança, volta a ter saques maiores que os depósitos no mês de julho, segundo informou o Banco Central nesta terça-feira. Com retiradas que atingem a casa dos R$ 1,605 bilhão, esse foi o primeiro resultado negativo para o mês de julho desde 2016. A questão dos saques ocorre em um ambiente de fraqueza da economia e alto desemprego. Pois com pouco dinheiro, e sem perspectivas futuras em relação a volta ao mercado de trabalho, muitos chefes de famílias recorrem às economias da caderneta para as despesas mensais.

Aplicações

Aliados a estas situações, a caderneta está com rentabilidade baixa em relação a outras disponíveis no mercado. Assim, muitos investidores têm preferido aplicar em outros papeis mais rentáveis. Lembrando que a poupança é remunerada pela taxa referencial mais a Selic, que, por sua vez, teve a taxa reduzida depois de 16 meses pelo Comitê de Política Monetária (Copom), para 6,% ao ano, atingindo o menor patamar da história. Pelas normas atuais, há corte no rendimento da poupança sempre que a taxa Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano. Para se ter uma ideia, segundo especialistas, até os juros do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), nos dias atuais, renumera melhor que a tradicional poupança.

O especialista em finanças Célio Tavares confirma que outros investimentos têm apresentado melhor desempenho do que a poupança.

— Uma das razões de tamanhos saques se deve que a poupança não está mais atrativa para os investidores, visto a taxa Selic estar a 6% ao ano. Assim, parte deste dinheiro migrou para outras aplicações mais rentáveis. Lógico também que não podemos descartar a falta de dinheiro, em virtude a alta taxa de desemprego. E com a possibilidade da taxa baixar para 5,5% até o final do ano, a tendência é a situação ficar assim por mais um tempo — avaliou.

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