Postagens em redes sociais podem causar demissão

 

Maria Tereza Oliveira

As redes sociais a cada dia estão mais presentes nas vidas das pessoas. Elas se tornaram parte importante do cotidiano de muita gente. Relacionamentos amorosos e amizades já nasceram através das telas. Algumas pessoas ficaram ricas e até se tornaram celebridades graças às redes sociais. Mas, ao mesmo tempo em que elas facilitam a vida, podem atrapalhar a vida pessoal e profissional de muitas pessoas, se usadas de maneira equivocada.

Além de serem úteis para as pessoas se expressarem, as redes sociais são utilizadas pelas empresas no processo de contratação e até são usadas como critérios para demissões.

Isso acontece porque as empresas precisam manter uma imagem simpática para os consumidores, e os funcionários precisam manter alguns valores parecidos com elas. Mas até quando isso vale? E o que é necessário para manter um bom perfil sem perder a personalidade?

Boa imagem

O publicitário Leonardo Silveira, 29, explicou a importância de pensamentos alinhados entre empresa e funcionários.

— As marcas têm a preocupação de ter a conexão com o público. É extremamente importante que elas tenham uma boa imagem para oferecer, sem se envolver em polêmicas e muito menos com ideias segregadoras. Isso vale para todas as empresas, independente do público-alvo — explicou.

Para Leonardo, para convencer o público, é preciso que os funcionários comunguem dos mesmos valores para que os discursos não sejam contraditórios.

— Isso não quer dizer que o funcionário precise concordar com absolutamente tudo o que a empresa prega, mas bom senso é primordial — orientou.

O publicitário destaca que se adequar aos valores não quer dizer que a pessoa precise abrir mão de sua personalidade.

— Para uma empresa chegar a demitir um funcionário, é necessário que esta pessoa tenha feito algum post extremamente prejudicial para a empresa, como alguma publicação com discurso de ódio, que é diferente de opinião, ou falar mal da empresa. Em ambos os casos, isso mostra um caráter duvidoso — salientou.

Até quando isso é válido?

Com a polarização política dos últimos tempos, o posicionamento político das pessoas tem sido levado cada vez mais a sério, todavia, de acordo com o Leonardo, isso não seria motivo para demissão.

— Vivemos em uma democracia e cada qual tem direito a ter suas ideologias. Mas não é muito inteligente, olhando pelo lado da publicidade, uma marca apoiar ou criticar um lado político. Isso porque ao mesmo tempo em que ela pode ganhar mais clientes que estejam alinhados com o lado escolhido, ela também afasta aqueles que discordam. Mas os funcionários têm sua liberdade para escolher e divulgar “seu lado” — esclareceu.

Para o publicitário, mesmo que a empresa não tome partido publicamente, também não é aconselhável que ela imponha aos funcionários suas ideologias.

— Recentemente, o caso de um empresário de uma importante loja de departamento, mostrou o quanto isso é prejudicial para a marca. No vídeo divulgado nas redes sociais, este empresário fala a seus funcionários que eles devem votar em determinado candidato. Aquilo foi visto com olhar negativo — explica.

É crime?

O advogado Robervan Faria disse ao Agora que não existe uma base legal que impeça a empresa de pesquisar o candidato à vaga de emprego nas redes sociais.

— Isso é uma questão pessoal de quem está contratando. É relevante porque a postura do funcionário afeta de forma indireta na marca — salientou.

Para o advogado, é direito da empresa escolher o funcionário de acordo com os ideais empregados por ela.

— Isso também vale para critério de demissão. O contratante tem todo o direito de demitir um funcionário por qualquer motivo. Então, se um servidor fizer algum comentário racista, por exemplo, ou com qualquer tipo de preconceito, a empresa tem o direito de não querer ter sua imagem associada com este tipo de postura — esclareceu.

Como evitar problemas na internet

Alguns cuidados simples ajudam a evitar que as redes sociais se tornem inimigas. Mesmo que elas sejam usadas como canal para expor a vida, isso tem de ser feito com limites e é importante preservar a privacidade.

É interessante, ainda, tomar cuidado com os efeitos que as publicações podem acarretar para outras pessoas. Principalmente compartilhamentos de conteúdos que possam ferir a imagem de alguém. O cyberbullying é uma prática considerada como assédio virtual e, além de ser um motivo para demissão, a pessoa pode responder criminalmente, de acordo com o que for feito. 

Propagar discursos de ódio ou qualquer tipo de preconceito também tem consequências profissionalmente e criminalmente. Discriminação é crime, racismo, por exemplo, é crime inafiançável.

Também é necessário que a pessoa se preocupe em não falar mal da empresa em que ela atua. Muitas profissionais já foram demitidos por “inofensivos” tweets em que criticavam o empreendimento em que trabalhavam. Por isso, é importante deixar fora das redes sociais às frustrações e estresses da rotina de trabalho e, caso se trate de abuso ou assédio, é melhor procurar ajuda jurídica para resolver a situação.

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