Pontinha de esperança

As buscas pela palavra “sororidade” aumentaram nesta semana no Google, após a participante do BBB Manu Gavassi utilizar o termo durante uma votação para formação do paredão.  Do latim “sóror”, que significa “irmãs”, a palavra significa “a união e aliança entre mulheres, baseada na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum”. A popularização do termo vem em um momento mais do que propício. Amanhã, milhares de pessoas vão às ruas de Divinópolis para pular o tão esperado Pré-Carnaval. A ação começou tímida, em 2015. No ano seguinte, caiu no gosto do povo, e hoje faz parte do calendário oficial do Município. Mas, o que a palavra sororidade tem a ver com o Pré-Carnaval de Divinópolis? Muita coisa. Neste ano, a comemoração ganhou de presente o bloco “Nenhuma Mulher a Menos”, que foi formado após um feminicídio ter sido registrado na cidade no fim do ano passado.

Durante a festa, o bloco estará na rua Pitangui conscientizando as mulheres sobre relacionamentos abusivos. Essa é uma daquelas ações que enchem o peito, nos fazem acreditar em um futuro melhor e gritar “Vai, mundo!”. De uma tragédia nasce um movimento necessário, que deve estar presente no nosso cotidiano. Uma ação que deve crescer e ter aceitação das mulheres. Pois, por mais que o número de violência contra a mulher e de feminicídios não pare de crescer, muitas mulheres ainda têm resistência a esses movimentos. Os motivos ainda não são claros, mas à sociedade não cabe julgar, apenas criar mais e mais ações que acolham e auxiliem as mulheres que passam ou já passaram pela violência, e encorajá-las a se livrarem dessas situações.

Em meio à descrença e aos caos, Divinópolis recebe um alento. A cidade mostra que a sororidade vale muito mais que discursos apaixonados e vídeos postados em redes sociais. O movimento é um tapa na cara dos políticos (mesmo que esta não seja a intenção) e mostra que a ação é mais importante do que qualquer palavra bonita. Pois, além de a ação ir ao encontro do Pré-Carnaval e Carnaval – festa em que milhares de mulheres são assediadas –, o governo federal zerou os recursos do programa Casa da Mulher Brasileira, que presta atendimento humanizado e assistência integral às mulheres em situação de violência, mesmo com o Brasil sendo o 5º país do mundo que mais mata mulheres. Diante do momento e da situação, é de sororidade que as mulheres precisam. É de empatia, menos julgamento e mais acolhimento. E tudo isso independe de ideologia política ou de feminismo. As mulheres precisam apenas de união. É de mais gente fazendo, e menos gente falando.

Vai, Divinópolis, mostre que nem tudo está perdido, que uma fênix pode nascer das cinzas. E que de uma tragédia pode nascer um movimento solidário, uma ação que acalenta e que salva vidas! Vai, Divinópolis, abrace esta causa e se jogue no mundo! Faz nascer aquela pontinha de esperança que tanto precisamos.

 

‘A cidade mostra que a sororidade vale muito mais que discursos apaixonados e vídeos postados em redes sociais. O movimento é um tapa na cara dos políticos’

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