Politicagem mata

Dizem por aí que amor mata, que a falta dele mata também, que ignorância mata, enfim, são argumentações que não há como contestar. Mas, tem uma coisa que mata mais do que homicídio, feminicídio e latrocínio no Brasil. O nome do que mata mais que tudo isso é politicagem. Isso mata a todo segundo, todo minuto, toda hora. No Brasil, hoje, há mais de 500 deputados federais, mais de 80 senadores, milhares de deputados estaduais, vereadores, prefeitos e um presidente da República. Todos são pagos com dinheiro público, com o dinheiro que o povo paga em impostos – e que impostos – para que eles trabalhem em prol da população, porém a coisa não é bem assim. Pode-se pegar Divinópolis para exemplificar isso. Hoje um vereador ganha pouco mais de R$ 11 mil para exercer sua função, o prefeito pouco mais de R$ 20, sem contar os salários dos secretários municipais.

São mais de 30 pessoas (do alto escalão) pagas com o dinheiro público para tornar Divinópolis um lugar razoavelmente bom para se viver, mas elas falham miseravelmente em suas respectivas funções. Basta olhar ao redor. E assim segue-se como exemplo o Estado, o País. Toda vez que uma pessoa morre na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) à espera de uma consulta, de um exame ou de uma cirurgia, é o exemplo da falha dos políticos brasileiros e da politicagem. Como isso acontece a todo instante no Brasil, é fácil constatar que algo precisa ser mudado. Pois, é como diz o ditado, “errar é humano, mas insistir no erro é burrice”.

De acordo com o dicionário, o significado da palavra politicagem é: “Política que tem por objetivo atender aos interesses pessoais ou troca de favores particulares em benefício próprio. Política reles e mesquinha de interesses pessoais. Refere-se aos ou políticos adeptos dessa política”. E o que mais tem nesse Brasilzão a fora é gente fazendo politicagem. Gente vivendo das desgraças dos outros. Gente que nunca quer apontar uma solução para o fim da fila de espera do SUS, pois, se ela não existir, os argumentos para uma eleição acabam. E, se tem gente fazendo politicagem por aí afora, tem gente também que gosta de tudo isso. Afinal, há outro ditado que diz o seguinte: “só há show se tem plateia”.

Divinópolis nos últimos anos tornou-se o antro da politicagem. Vereadores inexperientes foram eleitos, ocuparam boa parte das 17 cadeiras e usam de uma simples alteração de trânsito durante a Divinaexpo para fazer politicagem. Enquanto poderiam estar trabalhando para o que realmente precisa de atenção, e fazer jus ao salário de R$ 11 mil, estão por aí tentando encontrar brechas para cassar o mandato do prefeito. Mas, se fazem, é porque o povo gosta. E em meio a isso tudo só há de se constatar que, se politicagem mata – e muito –, e tem gente morrendo a torto e a direito por causa dela, é porque cada um tem o que merece. O filósofo francês Joseph-Marie Maistre (1753-1821) tinha toda razão quando disse que “cada povo tem o governo que merece”. Segue o jogo, com toda politicagem, com as mortes na fila do SUS e com debates em torno do que não interessa.

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