Política ainda exclui mulheres em Divinópolis

Ana Laura Corrêa 

Na atual legislatura, em exercício de 2017 a 2020, as 17 cadeiras do plenário da Câmara Municipal de Divinópolis são ocupadas por 16 homens e apenas uma mulher.

Fora dali, elas são maioria. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizados em fevereiro deste ano mostram que, em Divinópolis, elas são 53,02% do eleitorado. A conta não bate para uma democracia representativa. As mulheres ainda são sub-representadas nos cargos eletivos.

Desde 1932, quando as mulheres conquistaram o direito de se candidatar a cargos políticos, apenas cinco vereadoras passaram pela Câmara de Divinópolis. Nestes 86 anos, a cidade nunca foi comandada por uma prefeita. Hoje, as mulheres também são minoria nas secretarias de governo. Elas são seis, enquanto os homens são dez.

 Representatividade 

Para a socióloga Sandra Guimarães, a ampliação da participação das mulheres na política está acontecendo aos poucos, mas ainda há muito a ser feito.

—Um dos obstáculos para a mulher se inserir na política são os partidos. As mulheres não são as pessoas em que os partidos mais investem. Além disso, hoje elas têm jornada dupla, às vezes tripla, e isso afeta o envolvimento com a política. Então, é preciso ter também o apoio da família — enfatiza.

De acordo com a socióloga, a escolha de uma candidata mulher ainda não é um critério usado pelas mulheres na hora do voto.

—Talvez, isso comece a mudar à medida que o tema vem sendo discutido. Temos uma trajetória longa — destacou.

 Exceção 

A vereadora Janete Aparecida (PSD) é a única mulher a ocupar o cargo de vereadora na atual legislatura em Divinópolis. Ela foi eleita com 1.778 votos nas eleições de 2016.

—Recentemente, fui eleita presidente do partido e pretendo aumentar o número de mulheres no nosso grupo, mesmo que elas não se filiem ao PSD, para tratar de políticas voltadas para a mulher, ensinar às mulheres como funciona uma Câmara e estudar a lei orgânica— disse.

Janete afirma que o machismo ainda ronda a sua presença na política.

—As críticas não colocam em xeque a minha competência, mas a condição de mulher. As pessoas se preocupam muito mais com a roupa que estou vestindo e com a minha maquiagem, do que com o trabalho que estou desenvolvendo. O machismo é cometido por muitas mulheres — relatou.

 

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