Polícias Civil e Militar rebatem números do Atlas da Violência

 

Anna Lúcia Silva

O Atlas da Violência, divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ranqueou os municípios mineiros com maior percentual de violência, se referindo às cidades com registros de homicídios no ano de 2017. Divinópolis ocupa a 13ª da lista, com 26,4%, em relação a 32 municípios analisados. No entanto, as polícias Civil e Militar rebatem o resultado da análise, reforçando que os números apresentam queda na cidade desde 2016.

Daquele ano até 2019, a estimativa das polícias em Divinópolis é que os homicídios tenham caído em média 20%. Já entre 2018 e 2019, a redução foi de 25%. De acordo com o delegado regional Leonardo Pio, em 2017 ocorreram 41 assassinatos contra 37 no ano de 2018 e 30 neste ano. Dentro deste perfil de queda se encaixam também os feminicídios que, na contramão de todo o país, apresentam declínio desde 2016.  

— Os dados referem-se a 2017, no entanto, desde 2016 estamos registrando declínio graças a ações conjuntas e céleres entre as polícias e a Justiça — salientou.

Atlas da Violência

Os dados divulgados referem-se aos municípios com mais de 100 mil habitantes mais violentos do Brasil. Em 2017, Divinópolis registrou 59 homicídios, ficando atrás apenas de Belo Horizonte. A Capital Mineira registrou 130 assassinatos no mesmo ano, no entanto conta com uma população quase 10 vezes maior.

— Estamos em momento de queda no registro de crimes violentos, incluindo os homicídios. Divinópolis só se encontra nesta posição porque é o maior município do Centro-Oeste e também de quase todo o estado — explicou o comandante do 23º Batalhão da PM, tenente-coronel Rodrigo Coimbra.

Em outras cidades com populações superiores a de Divinópolis, os números foram menores. Como é o caso de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que ficou com um percentual de 19,8%.

Queda em feminicídios

A Lei Maria da Penha completou ontem 13 anos. Em Divinópolis seus efeitos já são evidentes em decorrência de uma série de aperfeiçoamentos em sua aplicação. As medidas foram descritas em um estudo do juiz Mauro Riuji Yamane, da 2ª Vara Criminal, cuja divulgação ocorreu no fim do último mês de junho.

Segundo os dados fornecidos pela 2ª Vara Criminal, em 2018, houve um decréscimo superior a 25% dos pedidos de medidas protetivas na comarca. Em 2017, foram 419 pedidos deferidos e, no ano passado, esse número caiu para 303. A quantidade de feminicídios também diminuiu, sendo que no biênio 2017/2018 só foi registrado um caso, contra três do biênio anterior.

De acordo com o juiz, os dados contrastam com a realidade do resto do estado, que registra um constante crescimento dos casos de violência doméstica e de feminicídio.

Ainda segundo o magistrado, a redução significativa é resultado da agilidade e sincronismo das polícias Militar e Civil, o Ministério Público (MP) e o Judiciário, já que cada instituição procura agir com a maior rapidez possível. Neste sentido, desde o flagrante de violência ou o requerimento da vítima e o deferimento do pedido de proteção, o tempo máximo tem sido de dez dias.

 

     

 

 

 

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