Polícia Civil investiga morte de adolescente baleada pelo irmão

 

Ana Laura Corrêa

A morte da adolescente Vitória Castro Silva, de 16 anos, foi confirmada ontem, por volta das 12h50 pelo Hospital Santa Mônica, onde estava internada.

De acordo com o delegado regional da Polícia Civil (PC), Leonardo Pio, a morte cerebral da adolescente já havia sido confirmada por fontes oficiais na última quarta-feira, 14.

A estudante foi atingida por um disparo de arma de fogo calibre 32, feito pelo próprio irmão, Roger Walter Silva, de 19 anos. O caso aconteceu por volta das 16h50 da última segunda-feira, 12, na rua dos Estados, no bairro Icaraí. 

—Inicialmente havia sido divulgado em alguns grupos de redes sociais que ela havia sido atingida por dois disparos. Mas a perícia confirmou apenas um tiro. Ela estava com um fragmento de projétil dentro da cabeça e foi atingida na face posterior — relatou o delegado.

Contradição

Inicialmente, o irmão da adolescente alegou que Vitória havia levado um tiro na porta de casa. No entanto, mudou a versão depois que um projétil foi encontrado pela perícia na sala da casa.

— Ele então falou que estava no quarto, limpando a arma de fogo. Neste momento, a irmã chegou de repente, quando houve um disparo acidental. Agora, a prova objetiva da perícia começa a divergir com a versão dele. Mas ainda está sendo apurada a possibilidade de eles terem tido uma discussão. Esta situação não está descartada e a PC está apurando todas as possibilidades do que verdadeiramente ocorreu no local dos fatos — afirmou o delegado.

Armas

A adolescente foi levada em estado gravíssimo para o hospital pelo irmão e por um vizinho. Roger não tem passagem pela polícia e a família não sabia do porte de armas.

Com ele, também foram apreendidas 13 munições calibre 32 intactas, um estojo de munição calibre 32 deflagrada, uma réplica de revólver de cor preta, um objeto aparentando ser um projétil amassado, um telefone celular da vítima e um do suspeito.

— Ele alega que comprou a arma de curiosidade, disse que queria ter uma — afirmou o delegado.

Convívio

Os pais dos irmãos foram ouvidos pela PC e não apontaram nenhuma desavença entre os dois.

— Eles alegam que os irmãos tinham um ótimo relacionamento e se amavam —declarou o delegado.

Pena

Com a morte da irmã, o jovem deixa de responder por tentativa de homicídio e passa a responder por homicídio consumado. Roger também pode responder por fraude processual por ter tentado apagar as machas de sangue na casa.

— As apurações agora vão averiguar se foi homicídio culposo ou doloso. Mas, a princípio, o suspeito está sendo investigado por doloso. Ou seja, ele não quis diretamente o resultado, mas, por outro lado, ele assumiu o risco de produzir este resultado, já que estava com uma arma de fogo, dentro de casa, sem possuir autorização e habilidade técnica para manuseá-la— afirmou o delegado.

Roger segue preso no presídio Floramar e à disposição da justiça. A família não manifestou interesse em doar os órgãos de Vitória. O velório ocorre no Parque da Serra e o sepultamento está previsto para esta manhã.

 

 

 

 

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