Polícia Civil conclui inquérito sobre pastor

No entanto, novas vítimas se apresentaram na delegacia; suspeito pode ser indiciado por, ao menos, três crimes

Matheus Augusto

O inquérito das primeiras supostas vítimas do pastor Jesiel Júnior Costa de Oliveira, acusado de enganar fiéis e colegas para obter bens e imóveis, foi concluído pela Polícia Civil (PC). Toda a documentação foi encaminhada à Justiça para que Jesiel, preso na Floramar desde o dia 8 deste mês, responda pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Segundo a responsável pelo inquérito, a chefe da delegacia de Estelionato, Adriene Lopes, outras duas supostas vítimas se apresentaram e, por isso, outros inquéritos ainda estão em tramitação.

Estelionato

Jesiel é natural de Contagem, mas morava há muito anos em Divinópolis, e congregava na Igreja Batista Filadélfia, no bairro Porto Velho.

Ele é dono de uma empresa que recorria de multas de trânsito. No entanto, o empreendimento era, segundo as investigações da PC apontam, utilizado para cometer fraudes. O pastor abordava fiéis e amigos e oferecia a eles a oportunidade de comprar uma franquia de sua empresa, com a alegação de “lucro certo”. Porém, ele não poderia fazer essa oferta, pois o empreendimento não possuía autorização para abrir novas sedes.

— Todas tiveram prejuízo financeiro pagando ao investigado valores (em dinheiro) e/ou bens móveis/imóveis. Algumas venderam carros, imóveis, outros investiram todas as economias que possuíam e, posteriormente, vieram a tomar conhecimento que foram ludibriadas, uma vez que nada fora formalizado, nenhum contrato social, nem alteração contratual da empresa dele, tampouco registro de franqueador ele possui. Foram apresentados por algumas vítimas documentos de contrato de franquia, redigido pelo investigado, figurando sua empresa como uma franqueadora, todavia ela não é registrada na Associação Brasileira de Franchising (ABF) — informou a PC à época.

Falsidade

A acusação de falsidade ideológica diz respeito a Jesiel, além de pastor, se apresentar também como advogado. O Agora conversou com quatro das supostas vítimas do pastor. Todas elas confirmaram a informação de que ele se apresentava também como advogado. Elas contaram também que nunca viram o pastor assinar qualquer documento como advogado ou mesmo exercer de fato a profissão.

Em alguns casos, ele chegou a oferecer às vítimas ajuda jurídica devido à sua alegada formação. No entanto, era apenas mais uma das formas de ele se aproximar das pessoas para oferecer a venda da franquia.

— O investigado se passava por advogado, mas não está inscrito nos quadros desses profissionais e/ou estagiários — informou a delegada.

Em sua empresa, há uma placa que apresenta o serviço de “consultoria e assessoria jurídica”, com o nome de Jesiel ao lado de outra advogada. Ao contrário da companheira, abaixo do nome do pastor não há seu número de registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Lavagem

Por fim, a Polícia Civil também pede o indiciamento de Jesiel Júnior Costa de Oliveira pelo crime de lavagem de dinheiro. As investigações, que começaram em abril, segundo a delegada Adriene Lopes, apontam que o pastor fazia o uso do caixa da igreja para lavar o dinheiro e, possivelmente, sonegação fiscal. Durante a operação, os agentes também apreenderam materiais que sustentam essa tese.

— Foram apreendidas várias máquinas de cartão de crédito e débito na residência e na empresa dele, todas registradas em nome da igreja, o que configura lavagem de capitais, haja vista a imunidade tributária das entidades religiosas — explicou a PC.

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