Pode ficar pior

Silvio França

Tenho visto uma corrente de mobilização para o não reeleja. Tudo bem que o atual momento político pede mudanças, mas tem de se avaliar qual tipo de mudança. Conforme rápida pesquisa na internet revela, contra os deputados da cidade não há nada que pese em corrupção. É possível discordar de um ou outro posicionamento político, mas isso é natural na democracia e dificilmente o eleitor encontrará político que ande 100% alinhado com suas ideias.

O não reeleja não parece contar com o fato de que direcionar votos para outros candidatos que não são da cidade pode deixar a nossa representatividade pior, poderemos ficar sem nenhum elo com o Governo Federal. Se bem me lembro foram os R$ 2 milhões viabilizados por Domingos Sávio (PSDB) que impediram a UPA de fechar no fim do ano passado e foi o trabalho de Jaime Martins (Pros) que trouxe a UFSJ e o Cefet para a cidade.

Novas lideranças vêm surgindo, mas com pouca expressão ainda e temos de ser bem honestos com nós mesmos: poucas chances de eleição. Várias lideranças ligadas a movimentos de cunho político que são promissoras, mas que ainda não ultrapassaram a barreira do desconhecimento. Sem contar que bater na porta de político de outra cidade dificilmente fará com que ele haja com o mesmo empenho de uma pessoa que mora e caminha pelas ruas de Divinópolis.

O eleitor muitas vezes critica o político, mas é pouco participativo. Não acompanha e não sabe a real atuação do seu representante. Se no passado foram adotadas posturas que contrariam o seu ideal, talvez participando mais você consiga que eles não hajam desta forma. Ficou muito claro que as redes sociais, por exemplo, tiveram uma forte influência nas últimas votações dos deputados locais. Jaime Martins, por exemplo, mudou seu voto no processo de Temer simplesmente para atender uma necessidade do seu eleitor. Quando o povo participa, tudo muda.

De outra forma, caso a população entenda que é hora de mudar tudo como alguns vêm apregoando, que mudem, mas que não reclamem após o leite derramado. As páginas deste jornal, os microfones das rádios e TVs serão pouco eficientes para cobrar de um deputado que não tem CEP em Divinópolis e que só aparece para buscar os votos que, na urna, garantem a sua eleição.

Eu sei o que você fez no governo passado

Se há um ponto positivo no pré-candidato Anastasia (PSDB) é sua franqueza. O ex-governador — que poderá enfrentar dificuldades em obter votos na cidade, por ser responsável pelo contrato da Copasa e da Nascentes das Gerais, ambos considerados os maiores problemas da cidade nos últimos anos — tem com como contrapeso o Hospital Público Regional, que é uma iniciativa sua. Infelizmente, seus sucessores não deram sequência à obra.

Falo da franqueza porque o assunto hospital foi abordado durante o lançamento da sua pré-candidatura e o mesmo foi franco com o vereador Renato Ferreira (PSDB), que havia feito a indagação: a prioridade no primeiro ano de governo será regularizar a situação junto aos servidores e os repasses para os municípios. Atitude responsável e correta, mas que não corrige os erros graves que cometeu com o Centro-Oeste mineiro. O hospital poderia ser uma compensação pela maldade que foi o pedágio em uma rodovia não duplicada e a taxa por um esgoto que não é tratado. Os divinopolitanos ainda aguardam as propostas dos demais candidatos.

Por enquanto, na minha lista, Anastasia ainda está entre as últimas opções.

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