Pode descer?

Editorial 

Divinópolis chegou a um ponto em que a única pergunta plausível a se fazer é: já pode descer, ou o ônibus vai continuar andando desgovernado por aí? Hoje, dia 23 de abril, os vereadores votam o Projeto de Lei do Legislativo Municipal Nº 020/2020, que dispõe sobre a redução dos salários dos vereadores, para um salário mínimo, previsto para entrar em vigor na próxima legislatura. Mas a proposta desagradou até os próprios colegas de bancada e é nomeada por muitos de politiqueira. Neste sentido, o presidente da Mesa Diretora, Rodrigo Kaboja (PSD),  para se precaver até de possíveis invasores à Casa Legislativa, solicitou reforço policial para a reunião extraordinária. Sim! Mesmo com o plenário resguardado, devido à pandemia da Covid-19, será preciso apoio policial, pois os vereadores estão com medo do que possa acontecer algo durante a votação. Aliás, quem não estaria? Afinal, em um momento delicado como este, no qual a grande preocupação é evitar que o povo morra de fome ou de coronavírus, e que não haja uma superlotação no Sistema Único de Saúde (SUS), os parlamentares estão preocupados em usar o assunto para fazer o que fazem de melhor: politicagem. 

A cada dia uma nova tentativa: ora é projeto que reduz salário só na próxima legislatura – com isso, os atuais vereadores continuam gozando de seus pouco mais de R$ 12 mil; ora é proposição que reduz salário agora, na próxima folha de pagamento – o que, segundo alguns juristas, é inconstitucional; ora é outro que quer reduzir IPTU – para quem não sabe, o imposto é uma das maiores fontes de arrecadação da Prefeitura, e somente o Executivo pode legislar sobre tributos –; ora é suspender a cobrança do ISSQN – quando o Município já estava com o decreto pronto para publicar. E aí, no meio disso, dessa enxurrada de informação, deste montante de politiqueiros, está Divinópolis, se afundando em uma crise econômica, de saúde e moral. Segundo a Prefeitura, ontem, a cidade tinha 65 casos confirmados de coronavírus e mais de mil notificações. O colapso batendo à porta e os vereadores brincando de legislar. E aí? Neste ponto que chegamos já é possível descer?

Alguns vereadores, e pré-candidatos também, seguem na ilusão de que gravar videozinhos pressionando a abertura do comércio, a adoção do isolamento vertical, a redução de imposto tal, diminuição de salário (que seja agora ou para a próxima legislatura) os isenta do julgamento das urnas. Em cidades menores, como Santo Antônio do Monte, várias frentes foram criadas: uma de doação de máscaras, outra de doação de roupas, de doação de alimentos, e a maioria destas frentes está sendo liderada por vereadores e até mesmo por pré-candidatos. Eles deixaram suas vaidades de lado para socorrer o povo, que grita por socorro neste momento. E em Divinópolis? Acontece o de sempre: cada um cuidando de si, e Deus de todos, e a população sendo prejudicada. Aqui, o interesse próprio é muito maior que o coletivo. 

Engana-se aquele que acha que ninguém está vendo, pois agora o que mais o povo tem é tempo para perceber tudo isso que está acontecendo na cidade. Foi-se o tempo em que politicagem barata elegia político, agora é mostrar trabalho de verdade. E trabalho é algo que os parlamentares divinopolitanos definitivamente não entendem.

Comentários
×