PMDB ameaça e vereadores devem votar a favor do IPTU

Ricardo Welbert

O vereador Dr. Delano (PMDB) disse ontem ao Agora que não conseguiu a brecha judicial que desejava para recorrer contra a recomendação do partido para que vote favorável a todo projeto de lei encaminhado prefeito Galileu (PMDB) – dentre eles, obviamente, os que propõem a atualização do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), ao qual Delano já se manifestou ser contra.

A imposição, feita sob ameaça de exclusão da sigla e perda do mandato, não foi feita apenas a Delano. O presidente da Câmara, Adair Otaviano, também recebeu o recado. Edson Sousa, outro peemedebista, nega ter recebido – embora Delano, líder do partido, afirme que recebeu.

— Desde o início eu falava que era contra o aumento do IPTU. Depois dessa ameaça do meu partido, comecei a receber áudios de eleitores meus dizendo que estão decepcionados comigo porque ouviram dizer que eu votar a favor por causa de cargos. Não tem nada disso — desabafa Delano.

Sem meios de escapar da pressão interna, o vereador afirma que não correrá o risco de perder o cargo.

— Não vou pôr meu mandato na berlinda por causa de IPTU. Não vou! Pra eles suspenderem meu direito de exercer e depois ter de ser julgado no final? Não vou mesmo! Será que o meu voto é tão importante assim que eles já têm os nove votos necessários? Só faltava o meu? Tem um trem errado aí — questiona. 

Hora do voto

Delano pretende, na hora do voto, deixar claro que deseja votar contra, mas votará favorável devido à pressão do PMDB.

— O meu partido, do qual eu sou líder com maioria de votos, ameaçou me expulsar se eu votar contra esse aumento do IPTU. Com isso, eu perderia meu mandato. Eu batalhei muito pra chegar aqui e não vou colocar meu mandato em risco por causa dessa atitude desonesta, mas deixo claro que eu queria votar contra, mas estou votando a favor por causa dessa sem-vergonhice aqui. O tipo de sem-vergonhice que a Justiça Eleitoral permite — reclama.

Colegas

Os demais peemedebistas ainda divergem sobre o recebimento da carta. Adair Otaviano, que logo após a reunião ordinária anteontem afirmou não ter recebido igual mensagem, mais tarde ele informou que recebeu.

Edson Sousa disse que não recebeu, mas afirmou que se receber, votará conforme a própria consciência, que, acrescenta, sugere voto contrário.

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