TRE encaminha à Justiça inquérito contra vereador César Tarzan

Ricardo Welbert

O inquérito que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) abriu para apurar denúncias contra o vereador César Tarzan (PP) foi enviado à Justiça anteontem – mesmo dia em que foram devolvidos pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), com parecer. O texto cita indícios de crimes contra propaganda eleitoral, compra de votos durante a campanha de 2016 e tentativa de coação a testemunhas.

A investigação começou no ano passado. No dia 20 de junho, representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e da Polícia Federal (PF) cumpriram mandado de busca no gabinete do vereador. Na ocasião, o delegado Benício Cabral, da PF, disse que havia indícios de crimes.

— Tudo começou quando uma pessoa que trabalhou na campanha do vereador procurou a PF e denunciou que ele praticou atos considerados crimes pela legislação. Ele teria feito compra de voto, boca de urna e uma prestação falsa de contas da campanha. Ele teria gasto mais do que declarou. Essas informações foram comprovadas pela testemunha. A busca no gabinete ocorreu devido ao fato de o vereador tentar interferir e tentar direcionar o depoimento de testemunhas do caso — explicou.

Durante entrevista coletiva na ocasião, o delegado também afirmou já ter colhido depoimento de César Tarzan – afirmação que o vereador negou ao ser procurado ontem pelo Agora.

— O vereador já foi ouvido. Mas, como houve novos fatos, ele deve ser reinquirido no momento oportuno. A possibilidade de perda do cargo dele fica à decisão do juiz. Vamos entregar as provas e cabe a ele entender se as provas são suficientes ou não para a perda — declarou.

No dia 29 do mesmo mês, o MPE emitiu parecer no qual opina favoravelmente ao pedido de prisão preventiva do vereador e solicita busca e apreensão de “materiais de prova”.

Outro lado

César Tarzan afirmou ontem à reportagem que nunca foi chamado a depor sobre o caso.

— Não respondo a inquérito algum. Enquanto o delegado não concluir e enviar ao promotor eleitoral, qualquer denunciante pode dizer o que quiser e eu não posso e nem preciso, por enquanto, me defender. Não há nenhum processo judicial contra mim. Se houver alguma prova, mas não existe prova sobre algo que não aconteceu, o delegado federal vai encaminhar. Mas ele está com esse caso desde janeiro — disse.

O advogado Alican Albernaz de Oliveira, que defende Tarzan, disse que aguarda a conclusão do inquérito por parte da PF.

 

 

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