Pensamentos do isolamento

Fernanda Ferreira 

No início da pandemia, eu pensava muito sobre as mudanças internas que aconteceriam com cada um de nós. Nossa forma de consumir, de olhar para outro, do valorizar as vivências, e não coisas, da cooperatividade, solidariedade e da união para um bem maior de todos. Este pensamento meu quase generalizado em relação às pessoas e ao mundo agora o vejo como uma inocência da minha parte, um devaneio momentâneo quase hippie de imaginar que viveríamos "uma nova era" com mais paz, amor e harmonia. Agora tenho uma plena certeza de que eu estava completamente enganada. A mudança acontecerá, sim, para aquelas pessoas que já estavam num processo evolutivo e reavaliando seus hábitos e ações mesmo antes da covid-19. Essas, sim, sairão melhores, fortalecidas, com novas atitudes, o momento só acelerou o processo e as levou na marra para esse ponto. Por outro lado, fica agora muito mais nítido o egoísmo, o negacionismo. Enquanto algumas pessoas se unem para ajudar, há quem continue se recusando a usar máscara, saindo de casa e se aglomerando, fazendo festa, estocando produtos ou simplesmente negando a gravidade do que estamos vivendo e espalhando mensagens irreais que estimulam um comportamento perigoso e irresponsável. A diferença é que ficou mais claro quem é quem, como se não fosse mais possível disfarçar, um holofote no lado mais cruel do ser, as máscaras caíram para dar lugar àquelas realmente necessárias, as que nos protegem de um vírus e não as que camuflam realidades. Nesse momento de reabertura parcial do comércio, podemos ter a falsa sensação de que estamos voltando à normalidade. A realidade é que os números seguem crescendo e famílias continuam vivendo seu luto sem ao menos despedir de forma digna e nem um abraço para consolar. Mais do que antes, se cuide, saia de casa somente para o estritamente necessário, lave as mãos, use máscara, se não puder ajudar, ao menos não atrapalhe.

Novidade

Tradição de décadas, mas com novos ares. O momento atual pede mudanças e novas energias em vários aspectos da vida. A Marina Joias reabre as portas com uma nova roupagem, sob a direção de Diêgo Henrique Brandão e Renato Ferreira, que levam sua experiência de anos no mercado de joalheria para oferecer não só um grande mix de produtos, mas um atendimento com todos os cuidados de higiene e atenção ao cliente. Ainda dá tempo de comprar o presente para sua mãe. Hoje, a Marina Joias está te esperando e vai fazer com que você se sinta em casa. A loja está cumprindo com todas as recomendações dos órgãos sanitários para proteger os clientes e colaboradores, inclusive, disponibilizando máscaras. Onde se vende joias e perfumes, vende-se mais que produto, vende-se um símbolo de um momento marcante com valor afetivo. É um cheiro que se cria uma memória olfativa, uma joia que celebra uma conquista, uma caneta que assina um novo contrato, uma aliança que sela uma união.

Solidariedade

O Cefet Campus Divinópolis, com o apoio de professores, alunos do curso técnico de produção de moda e do bacharelado em design de moda, criou o projeto “Mutirão do Bem”. A coordenadora, Maria de Lourdes Couto, afirma que a meta é produzir 20 mil máscaras até o fim deste mês. Estas serão distribuídas a instituições de saúde, obras assistenciais, entre outras demandas que surgirem nos próximos meses. Cerca de 60 voluntários estão envolvidos, colaborando com doação de material e pagamento das facções. Maria de Lourdes acredita que a iniciativa é uma forma de ocupação para muitas pessoas que estão afastadas de suas atividades e, muitas vezes, sem o que fazer em casa. “Os nossos colaboradores relatam que o projeto ocupa a mente, proporciona a sensação de fazer o bem sem olhar a quem, e que, quanto mais se dedicam, mais querem se envolver". A ação é um convite para prática do altruísmo e da empatia por meio da solidariedade, respeito ao próximo, que são valores essenciais para que vivamos e convivamos uns com os outros em perfeita harmonia, enfatiza a coordenadora. No perfil do projeto no Facebook, há um vídeo que nos ensina a produzir nossa própria máscara caseira.

Sociedade

108 diferentes personalidades escrevendo sobre 108 pessoas marcantes da história de Divinópolis, que comemora 108 anos no próximo mês. Welber Skaull lança mais um projeto com foco em nossa divina cidade. O livro intitulado “108 Histórias Marcantes” seria lançado em um evento durante as comemorações de aniversário em formato impresso, mas, com a pandemia, será em formato e-book com acesso gratuito a partir de 1° de junho de 2020. Os amantes do livro no formato físico, assim como eu, que gostam do tato e do cheiro de papel ao abrir a página, podem encomendar uma versão impressa. Dentre os convidados para colaborar na escrita desse livro, pesquisadores, escritores, empresários, jornalistas, religiosos, professores, acadêmicos, esportistas, incluindo essa colunista que vos fala, aliás, vos escreve. Aqui fica registrada minha gratidão de participar e contribuir para o registro da história da cidade onde nasci e pela oportunidade de me aprofundar na vida de uma mulher que fez tanto por outras mulheres divinopolitanas na sua época. Aguardando ansiosa para ler as outras histórias.

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