Pela primeira vez, uma mulher assume Comando do Corpo de Bombeiros

 

Ana Lúcia Silva

Amanda Cristina Miranda. Este é o nome da primeira mulher a comandar o 10º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. Aos 37 anos de idade, a tenente coronel colhe os frutos plantados ao longo de 19 anos de profissão. Hoje, assumir o mais alto posto da corporação, significa não só reconhecimento do que fez até aqui, mas também a realização de um sonho.

A tenente-coronel ingressou no Corpo de Bombeiros no dia 31 de janeiro de 2000 em uma única tentativa ao prestar concurso público. Natural de Formiga, desde criança sempre admirou as atividades dos bombeiros e desde então nutria o sonho de entrar para a instituição.

— Já com os meus 12 anos passei admirar a corporação e as atividades de todos os bombeiros e coloquei isso na cabeça. No primeiro momento, fiz o concurso e passei. Consegui alcançar a corporação que eu tanto admirava e continuo admirando, estando dentro dela e como cidadã também —disse.

Protagonismo feminino

Falar do orgulho em ocupar um posto tão elevado e comandar mais de 50 cidades na região Centro-Oeste implica também, ressaltar as dificuldades existentes e a quebra de paradigmas que ao longo do tempo tantas mulheres vêm protagonizando, nos mais diversos âmbitos, cargos de gerências, coordenações e chefias.

Passos importantes estão sendo dados e cada vez mais, há reconhecimento quanto às potencialidades de um comando feminino. Sem dúvidas, o que permeia histórias como a de Amanda é superação e muito orgulho.

— Isso significa também a prova que conseguimos, sim, conciliar homens e mulheres trabalhando juntos e fazendo as mesmas atividades. É muito bom saber que hoje quase 10% do efetivo é composto por mulheres — destaca.

  Amanda diz ter muito orgulho de ser a primeira mulher a comandar um batalhão na região.

— Tivemos também protagonismo feminino em Belo Horizonte, onde a tenente-coronel Daniela comandou do Batalhão de Operações Aéreas e a tenente-coronel Kênia, que comandou a Academia de Bombeiros. Contudo, em uma unidade operacional, a gente acredita que sou a primeira da região e do Estado — contou.

 Amanda ressalta que se sente desafiada em manter a qualidade do trabalho desempenhado pelos comandantes anteriores, que como ela pontua em suas palavras, “foram todos excelentes e de um nível fora do normal”.

— O grande desafio será mesmo manter o que já estava ótimo e melhorar o que for possível, sempre buscando o aprimoramento. Avalio essa questão do fato das mulheres conseguirem chegar a cargos de gestão e chefia como algo muito positivo. Além disso, o comando da corporação ter me entregado o Batalhão é extremamente significativo para o momento que estamos vivendo e o desafio como disse será manter esse padrão e continuar trabalhando para a sociedade de um modo geral —destacou.

Projetos

 Sobre projeções futuras, a tenente-coronel destaca que já existem projetos a serem executados nos próximos anos, como o de tentar inaugurar frações ou postos avançados dos bombeiros em cidades onde não há efetivo. 

— Já estamos conversando com algumas cidades e nosso objetivo é construir unidades bases de bombeiros, pois nossa área é muito grande. Temos 54 cidades que são nossas e temos mais outras que a gente também atende, totalizando 58 cidades. Se trata de uma área muito extensa e quanto mais expandirmos, a gente consegue atender a população de uma forma mais articulada— finalizou.

 Passagem de comando

 A passagem de comando ocorrerá no próximo dia 28, quando a tenente-coronel Amanda Miranda assume o cargo, hoje ocupado pelo tenente-coronel Paulo César, que após a data segue para a reserva militar.

 

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