Pedido sobre delegados ainda não tem resposta

Matheus Augusto

Quase um homicídio por semana. Esse é o retrato da criminalidade em Divinópolis, segundo o Portal Números, do Governo do Estado. Porém, o balanço deste ano, até o momento, pode ser considerado positivo. São 32 vítimas de assassinato na cidade, contra 42 no mesmo período do ano passado, ou seja, até o fim a tarde desta quarta-feira, 21. Em 2018, o Portal Números aponta que 61 pessoas morreram em razão deste crime, mesma quantidade registrada em 2017. E, para investigar e desvendar estas barbáries, é fundamental ter o quadro de delegados completo, o que não tem Divinópolis e nos outros municípios comandados pela Delegacia Regional, que tem à frente o delegado Leonardo Pio.

Necessidade

Quando crimes violentos acontecem, é essencial que os órgãos responsáveis, no caso a Polícia Civil, estejam preparados para lidar com a demanda. No entanto, segundo o ofício da Câmara, Divinópolis, que tem direito a 16 delegados, conta com apenas quatro, sendo um regional. O resultado não poderia ser outro: sobrecarga de trabalho em cima destes profissionais.

Em razão desse vazio existe no quadro de delegados da cidade, a Câmara Municipal, com a assinatura de todos os 17 vereadores, encaminhou ao chefe da Polícia Civil em Minas Gerais, Wagner Pinto de Souza, um ofício solicitando mais profissionais da categoria. O documento enviado ressalta que, por diversas razões, delegados têm deixado a cidade e as vagas não são repostas, criando uma sobrecarga aos profissionais.

— Nos últimos anos, o quadro de delegados da Polícia Civil da Regional Divinópolis sofreu com a retirada destes profissionais da segurança para outras praças/regiões, afastamentos por licenças médicas e aposentadorias. Os quatros delegados da PC estão se desdobrando em plantões e trabalhos extrassequenciais num esforço sobre-humano — aponta o ofício.

Além disso, o ofício ressalta que a saída de delegados do município tem esvaziado as unidades especializadas.

— Pastas que exigem delegado com habilidades específicas, como a Delegacia da Mulher, da Criança e do Idoso, também estão sem titulares. Acumulam-se 23 mil inquéritos aguardando conclusão em uma Regional responsável, além de Divinópolis, pelas cidades de Itaúna, Cláudio, Itatiaiuçu e Carmo do Cujuru, totalizando mais de 600 mil habitantes — relata.

O pedido termina solicitando a reposição completa ou, num primeiro momento, de 50% do quadro na cidade. O momento, segundo o ofício, é oportuno, uma vez que, em setembro, 81 delegados serão formados no curso de PC.

Governo

Em resposta ao Agora, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) não esclareceu se há previsão para o envio de delegados a Divinópolis, mas informou que cidades do interior serão contempladas em breve.

— A PCMG informa que há dois concursos em andamento: o de delegado de Polícia, que compreende 76 vagas, em que os novos policiais já iniciaram o curso de formação policial na Academia de Polícia Civil (Acadepol) e o de escrivão de polícia, com 119 vagas, na fase de exames médicos e físicos. Além disso, 425 investigadores aprovados no último concurso foram nomeados no dia 4 de julho e iniciarão o curso de formação policial para então serem designados para atender à demanda do interior do estado.

Um dos empecilhos para completar as vagas tem sido a falta de equilíbrio financeiro do Governo do Estado. Ou seja, a realização de novos concursos na área depende da disponibilidade de orçamento.

— A PCMG informa, ainda, que está sendo realizado estudo técnico para verificar a possibilidade de novos concursos para outros cargos, tudo em observância aos parâmetros da Lei de Responsabilidade Fiscal — comentou.

O órgão também reconheceu a falta de profissionais para lidar com todas as demandas no estado e informou estar se dedicando a superar tais limitações.

— Apesar do déficit constatado no efetivo, a PCMG trabalha diuturnamente e efetivamente empenhada para dar resposta à sociedade ao fenômeno criminal. Para tanto, dispõe de servidores capacitados para prestar atendimento de qualidade à população — explicou.

Homicídios

Apenas neste ano, a 7ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp) registrou 56 homicídios. O cenário em Divinópolis é o mais grave da região Oeste. A cidade lidera como o município com o maior número de vítimas de homicídio consumado, total de 32.

Crimes

A situação fica ainda mais preocupante quando se observa os registros de crimes violentos em Divinópolis no Portal Números.

A tabela do Governo Estadual considera violentos os seguintes crimes: estupro consumado, estupro de vulnerável consumado, estupro de vulnerável tentado, estupro tentado, extorsão mediante sequestro consumado, homicídio consumado, homicídio tentado, roubo consumado, sequestro e cárcere privado consumado. A 7ª Risp em Divinópolis lida com 1.669 crimes violentos.

Os roubos lideram as ocorrências na cidade. Até julho, foram 503 crimes como esse cometidos, uma média de 83 por mês.

No entanto, apesar desta estatística, os comandos  da PM e PC, afirmam que houve redução acentuada  dos crimes violentos na cidade, neste primeiro semestre. Afirmam ainda que o combate preventivo e repressivo são os responsáveis pela redução.

 

 

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