Pedido para convocação de secretário e gerente do Serviço de Luto é protocolado

Ofício tem autoria do vereador Ademir Silva; presidente já encaminhou documento à Comissão de Administração

Gisele Souto 

O vereador Ademir Silva (PSDB) protocolou, ontem, ofício solicitando ao presidente da Casa, Eduardo Print Jr. (PSDB), a convocação do secretário de Serviços Urbanos, Gustavo Mendes, e do gerente de administração do Serviço Municipal do Luto, Cláudio Juliano de Aquino. O objetivo é que eles prestem esclarecimentos sobre as graves denúncias publicadas pelo Agora em sua edição desta terça-feira, 14. A principal delas, segundo o vereador, é o possível tráfico de influência, com ingerência até em horários de sepultamentos, cometidos por vereadores desta legislatura. 

O presidente Print Jr. confirmou o recebimento e disse que já encaminhou para a Comissão de Administração, que tem à frente Josafá Anderson (CDN). Por sua vez, Josafá afirma estar ciente e que tomará as devidas medidas cabíveis à comissão. 

Motivos 

As denúncias publicadas pelo Agora relatam sobrecarga de trabalho, déficit de agentes funerários e interferências, além do Legislativo, do Executivo no serviço dos agentes funerários. Antes de a Câmara agir,  o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram) já havia tomado providências. Como o Agora publicou na edição de ontem, parte da diretoria foi na manhã de quarta-feira, 15, conferir de perto as condições de trabalho dos agentes. Solicitou uma reunião emergencial com o secretário Gustavo Mendes, da pasta responsável pela administração do serviço. A presidente do Sintram, Luciana Santos, reagiu com indignação após tomar conhecimento da reportagem e lembrou que o serviço funerário vem sofrendo com medidas administrativas contrárias à legislação há pelo menos seis meses. De acordo com a presidente, situações como a decisão da vice-prefeita e secretária de Governo, Janete Aparecida (PSC), em atribuir aos agentes funerários a responsabilidade pela remoção de corpos em domicílio, são recorrentes.

— Nossa preocupação não está relacionada somente aos servidores, que vêm sofrendo pressão psicológica. Estão sobrecarregados e ainda não têm o respaldo necessário da chefia imediata. Trata-se, também, da questão humanitária, pois estamos falando de um serviço que é chamado nos momentos de maior sofrimento para as famílias, que nesse momento precisam de muito mais do que um sepultamento— argumentou.

Câmara 

Na reunião de ontem na Câmara, o assunto não foi abordado, visto que o destaque foi o plenário cheio de pró e contra os vereadores Eduardo Azevedo (PSC) e Lohanna França (CDN). Um novo embate se deu por causa do projeto de Eduardo que proíbe o ensino de linguagem neutra nas escolas em Divinópolis. 

No entanto, o Agora ouviu do vereador Ademir Silva o motivo que o levou a protocolar o ofício.

— Era minha obrigação fazer isso, e a da Câmara, investigar. É inadmissível que colegas nossos tenham esse tipo de comportamento.  Eu não fiz isso, mas precisamos descobrir quem fez — resumiu.  

Josafá Anderson disse que vai se reunir com o setor responsável na Câmara para traçarem os próximos passos. 

Edsom Sousa (MDB) foi outro que destacou o assunto na última terça na tribuna, dizendo que “quando houve troca de corpos no Complexo de Saúde São João de Deus, os vereadores queriam derrubar o hospital, e agora, que aconteceu no Luto, ninguém fala nada”. 

Entenda o caso 

O Agora publicou reportagem em primeira mão, na quinta-feira da semana passada, explicando sobre a troca de corpos no Serviço Municipal do Luto. Uma fonte revelou a atual situação de trabalho dos agentes funerários e má gestão. Questionada, a Prefeitura negou a denúncia. Porém a fonte reafirmou ao Agora com exclusividade outras situações que vêm ocorrendo no Serviço do Luto, como “carteiradas”. Reafirmou a má gestão e que, pelo fato de o gerente não ser técnico, cede à politicagem.  

Disse ainda que o Serviço do Luto tem atualmente dez agentes ‒ destes, três estão licenciados, por isso a sobrecarga. Afirmou ainda que, se algo não for feito urgentemente, pode haver um colapso.

Sobre a terceirização, vontade da gestão Gleidson Azevedo (PSC), a fonte afirma temer que a culpa caia sobre os agentes que dão o seu melhor para prestar um serviço de qualidade.

A troca de corpos ocorreu na quinta-feira da semana passada, quando familiares esperavam uma idosa, mas, quando abriram o caixão, era um idoso. Desesperados, procuraram o Serviço do Luto, que providenciou a troca. 

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