Pastor que enganava fiéis é preso pela PC

Matheus Augusto

Uma operação da Polícia Civil (PC) ontem resultou na prisão do pastor Jesiel Júnior Costa Oliveira, natural de Contagem, mas que mora em Divinópolis há anos. Ele congregava na igreja Batista Filadélfia, no bairro Porto Velho, e é investigado por crimes como estelionato, falsidade ideológica e sonegação fiscal. Durante a operação, agentes cumpriram mandatos de busca e apreensão na igreja onde o pastor atuava, em uma empresa da qual é sócio e em sua casa.      

Após ser ouvido pela manhã na delegacia, onde negou as acusações, mas foi expedido o mandado de prisão preventiva e ele Jesiel foi transferido para o presídio Floramar ainda ontem.

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O Agora conversou com a titular da delegacia de Estelionato, Adrienne Lopes, responsável pelas investigações. Segundo ela, as averiguações começaram em abril deste ano, quando supostas vítimas se apresentaram à delegacia.

— Elas nos procuraram relatando que teriam sido enganadas por ele, quando foram convidados para ser representantes da empresa de Jesiel, para comprar parte dela e serem sócias dele. Algumas ele chamou para serem sócias da Multare, que está registrada em seu nome. Outras, para serem franqueadoras da empresa dele. Com isso, as vítimas, acreditando nessa história, que seriam sócias ou franqueadas, compraram e fizeram depósito na conta dele. E, na realidade, não tinha nada disso, a empresa não é uma franqueadora — informou.

Ainda segundo a delegada, várias vítimas foram lesadas, inclusive uma no Estado de São Paulo.

Caso

Em São Paulo, a vítima foi Pedro Costa Figueiredo, que estima um prejuízo de R$ 200 mil. Ao Agora, ele explicou como conheceu Jesiel.

— Conheci através do pastor João Cardoso, de Belo Horizonte. Ele havia me dito que Jesiel tinha uma empresa de recursos de multas chamada Multare, dizia que era uma pessoa de confiança, um pastor e líder de uma igreja em Divinópolis e me apresentou a ele — afirmou.

Pedro contou ainda que Jesiel apresentou uma proposta para que ele comprasse três franquias ao custo total de R$ 150 mil. No entanto, o prejuízo foi ainda maior.

— Comprei as três franquias e gastei com aluguel de imóvel, funcionários. No total, o prejuízo foi de R$ 200 mil — relatou.

Ele só foi descobrir a armadilha mais tarde, quando um divinopolitano o alertou sobre golpes que o pastor havia aplicado em outras pessoas.

— Quando ele falou que Jesiel lavava dinheiro na igreja, eu comecei a suspeitar. Através de uma pessoa em Divinópolis que eu conhecia, descobri que era tudo fraude, que ele já havia aplicado golpe em várias outras pessoas e era estelionatário — explicou.

Movimentação financeira

A empresa Multure, localizada na rua Minas Gerais, oferece o serviço de entrar com recurso na área de multas de trânsito. Apesar disso, o pastor também utilizava a conta da igreja.

— Ele utiliza, por ser pastor, uma conta da igreja, em que toda a movimentação da empresa particular é feita. (...) Ele tem várias igrejas registradas em seu nome, em nome da família, da esposa, do pai. Tem uma igreja que tem sede em Belo Horizonte, na verdade uma ramificação, mas a sede é em Caracas, na Venezuela, e ele é diretor — informou.

Prejuízo

Adrianne Lopes explicou ontem que, até então, a Polícia Civil já havia calculado um prejuízo de R$ 300 mil.

— Todas tiveram prejuízo financeiro pagando ao investigado valores (em dinheiro) e/ou bens móveis/imóveis. Algumas venderam carros, imóveis, outros investiram todas as economias que possuíam e, posteriormente, vieram a tomar conhecimento que foram ludibriadas, uma vez que nada fora formalizado, nenhum contrato social, nem alteração contratual da empresa dele, tampouco registro de franqueador ele possui — explicou a PC.

Ainda segundo o órgão, o pastor também se passou por advogado.

— Foram apresentados por algumas vítimas documentos de contrato de franquia, redigido pelo investigado, figurando sua empresa como uma franqueadora, todavia ela não é registrada na Associação Brasileira de Franchising (ABF). Além do mais, o investigado se passava por advogado, mas não está inscrito nos quadros de advogados e/ou estagiários — informou.

A delegada Adrienne Lopes informou também que essa é a primeira vez que ele é preso. Ela ainda contou que foram apreendidos dinheiro, incluindo euros e bolívar venezuelano, panfletos, computadores, notebooks e celulares.

— Foram apreendidas várias máquinas de cartão de crédito e débito na residência e na empresa dele, todas registradas em nome citada igreja, o que configura lavagem de capitais, haja vista a imunidade tributária das entidades religiosas — explicou a PC.

Participação

Até agora, apenas Jesiel está sendo indiciado, mas a polícia ainda investiga a possível participação de parentes nos crimes.

— No momento, as investigações recaem sobre ele. Nós vamos verificar se há outros investigados — contou Adrienne.

Conclusão

A delegada explicou ainda que a solicitação do bloqueio de bens já foi feita para garantir que as vítimas sejam reembolsadas.

— Nós vamos dar continuidade a essas investigações. Solicitamos também o bloqueio de valores da conta e bens para o ressarcimento dessas vítimas que tiveram grande prejuízo e vamos encerrar as investigações com o indiciamento dele pela prática de vários crimes, dentre eles: estilionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e outros, que ficarão caracterizados dentro do processo — afirmou Adrienne.

Além disso, Jesiel teria cometido sonegação fiscal.

— O dinheiro entra como receita da igreja, que é imune de tributação, e não como receita tributável da empresa particular dele, ocorrendo concomitantemente sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica — explicou a PC.

 

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