Passou a ser normal

Preto no Branco 

A pandemia do coronavírus chegou, se instalou, adoeceu milhões de pessoas, matou mais de 150 mil no Brasil com consequências drásticas. Uma delas, a retração na economia, que tem levado muitas famílias a não ter o nem que comer em casa. As pessoas que já não tinham uma vida digna ficaram em situação ainda pior. Resumindo: falta dinheiro para tudo. Aliás, para o essencial, que levaria um pouco mais de dignidade a milhares de famílias brasileiras. No entanto, sobra nas contas de centenas de corruptos espalhados por aí, para poucos viverem usufruindo do bom e do melhor — pago por quem está passando fome — e até para se esconder na cueca, e sabe-se lá onde mais. Surpresa? Nenhuma. O mais triste é constatar a cada dia que isso é encarado como normal por culpa de quem deveria coibir e, principalmente, da sociedade, que assiste tudo de braços cruzados.

Figuras repetidas 

Conhecidas e sem um pingo de vergonha. Pintas repetidas que cometem os mesmos crimes a cada mandato que são colocados no poder. É o caso do senador Chico Rodrigues (DEM), o escândalo atual, flagrado com R$ 33 mil na cueca. O então vice-líder do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) no Senado desde março de 2019 já aprontou muito durante seus 30 anos de vida pública, acusado de uma série de crimes semelhantes. Em um deles, chegou a perder o cargo que ocupava na época. Diante disso, é que vêm as perguntas: por que que gente dessa laia ainda continua no poder? Ainda é escolhida para uma função tão importante para o Executivo nacional? A culpa e do político cúmplice, claro. Mas, principalmente, de quem o coloca no poder e, mesmo sabendo de tudo, vende seu voto por qualquer trocado e ganha como retorno a continuidade da miséria em que vive.

Cara de pau

E o que mais surpreende nestes casos é a cara de pau dos flagrados e acusados em negar os crimes. O senador, por exemplo, nega todas as acusações e afirma não ter relação com nenhum ato ilícito. Em nota, afirmou que ao longo dos seus 30 anos de vida pública tem dedicado sua vida ao povo de Roraima e do Brasil, e seguirá firme rumo ao desenvolvimento da sua nação. Comovente, não? E tem gente que acredita, assim como nas visitas de Papai Noel em suas casas na noite de Natal. Cômico.

Longe da realidade

A cada prática desta, a cada descoberta de farra com o dinheiro público, fica mais difícil acreditar numa mudança de conceito da classe política brasileira. Crer em uma construção de modelo sem a oferta de dinheiro pago pelo povo e redução nas despesas de campanhas políticas, por exemplo, são sonhos que se tornam a cada dia mais distantes da realidade. Infelizmente, ocupantes de cargos sem nenhum escrúpulo ainda continuarão mandando no país por muito tempo, se não houver uma união de força entre a sociedade e os poderes constituídos para dar um basta. Enquanto isso não acontece, os políticos vão continuar mantendo seu mundo paralelo muito distante dos interesses e das necessidades da população.

Que tal começar

As eleições municipais batem às portas e a população pode começar por elas, nas centenas de municípios brasileiros, as mudanças tão faladas e necessárias. Talvez, não seja o ideal ainda, visto que no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas é que o “limpa” precisa fazer a diferença. Porém, o caminho para grandes transformações começa é de baixo e, quem sabe, não se torna o início da grande transformação para ontem que o Brasil precisa. Cada um faz a sua parte e deixa que o resto vai se ajeitando. Mas, para isso, o voto consciente precisa estar em primeiro lugar, caso contrário, todo esforço será em vão.

Os nove candidatos

E, para que todas essas mudanças sejam feitas, a imprensa tem um papel fundamental. Pois é ela que leva até você todas as informações dos pretendentes aos cargos por meios de reportagens, entrevistas e debates. Neste sentido, o Agora iniciou ontem a segunda rodada de entrevistas com os candidatos à Prefeitura de Divinópolis. A escolha foi feita por ordem alfabética e o primeiro a apresentar seus projetos e propostas foi Fabiano Tolentino (CDN). Hoje, é a vez de Galileu Machado (MDB). Estamos fazendo nossa função, que é levar até você todas as informações que te possibilitem a reflexão sobre sua escolha. Cabe a você, eleitor, fazer depois sua análise. Até o próximo dia 29, às 20h, um candidato será questionado. Então fiquem ligados em nossas plataformas digitais e de ouvidos atentos às respostas dos entrevistados.

 

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