Paranoias e Perrengues

Fernanda Ferreira 

A pandemia chegou e com ela abandonei a "lei dos 3 segundos" quando cai o alimento no chão. Agora já era, eu olho para ele lá como um ninho de corona pronto para descer pela minha garganta e já sinto a falta de ar com a trilha sonora do meme do caixão ecoando meus ouvidos. O meu maior perrengue é precisar ir ao banheiro fora de casa, enfim, me sinto entrando numa jaula de covid e coliformes fecais. Onde há uma batalha invisível entre vírus, fungos e bactérias, duelando para atacar o humano descuidado que tocar nas superfícies. Uma roleta russa de micose e coronavírus.

O processo requer tanta habilidade e passos que eu seguro até a gota bater na portinha e ameaçar meu resto de dignidade. Abro a porta com o cotovelo para entrar, pego papel para girar a chave, esse mesmo papel já deixo na válvula da descarga para utilizar depois, faço aquele xixi flutuante que já fortalece minhas coxas, único exercício praticado na quarentena, subo as calças, dou a descarga e descarto o papel, lavo as mãos e com o papel que sequei já abro a maçaneta para sair. E ainda fico uns minutos me perguntando se esse maldito ultrapassou as barreiras do papel. Já corro para o álcool gel e finalizo com as mãos secas de dar sede. Aí vou pegar o hidratante e tomar uma água. Esqueço de tirar a máscara antes de dar o primeiro gole e lá se vai tudo por água abaixo, literalmente, máscara molhada, derrotada após todos os cuidados e será que contaminada?

Bazar com causa

A Zephora Alta Costura promove seu bazar 2020 em prol de uma causa tão necessária nesse momento. Os casos de violência contra a mulher subiram assustadoramente desde o início da pandemia. Em Divinópolis, o projeto “Meu Amar” atua acolhendo as mulheres vítimas de violência doméstica e dando todo o suporte necessário. Para atender com cuidados e segurança as clientes e equipe Zephora, neste ano, o bazar será feito num período de 2 meses. Os atendimentos serão individuais e com hora marcada para não haver aglomerações. Ele iniciou dia 3 de junho e vai até 3 de agosto. O agendamento é pelo telefone (37) 3222 8919 e funciona às segundas, quartas e sextas. São cerca de 270 peças à disposição, desde vestidos noiva a vestidos de festa e até acessórios. É uma oportunidade de adquirir um vestido dos sonhos com valores abaixo do preço de locação. Os modelos disponíveis e valores você pode conferir no Blog da Zephora.

Blackout

O feed do Instagram nesta semana foi invadido por vários quadrados pretos com a hashtag #blackouttuesday. As postagens simbolizavam um apagão nas redes sociais em apoio aos protestos contra o racismo. Desde o assassinato de George Floyd, em 25 de maio, o movimento #blacklivesmatter vem crescendo e se espalhando pelo mundo. Aqui no Brasil, o assassinato do menino João Pedro por policiais no Rio de Janeiro recentemente sensibilizou parte da população a uma realidade que negros enfrentam diariamente. Só postar nas redes sociais não é o suficiente para mudarmos essa realidades. Iniciativas reais, conscientização e mudanças de comportamento é que realmente serão efetivas. Na terça, o Spotify adicionou 8 minutos e 43 segundos de silêncio entre as músicas e os podcasts, em alusão ao tempo em que George Floyd ficou preso sob o joelho do policial Derek Chauvin, o que culminou na sua morte. A plataforma afirmou que também vai amplificar as vozes negras em duas playlists.

Apoio real

Protestar contra o racismo não é o suficiente, temos que traçar ações antirracistas fora das redes. Fale sobre racismo no círculo social, não naturalize frases racistas, corrija, mesmo que isso gere uma situação desconfortável. Pessoas mais velhas não têm a desculpa de agir assim por ser considerado "normal" no tempo delas. Elas vivem aqui hoje e podem aprender, sim. Financie iniciativas de pessoas negras, divulgue os trabalhos. Procure mídias alternativas que dão visibilidade às pessoas negras que quase sempre são excluídas da mídia tradicional. Consuma conteúdos, livros, filmes dirigidos e com protagonistas negros. Comece a questionar seu entorno, a falta de pessoas negras em posições de poder, questione a falta de representatividade. Reconheça seu privilégio e o utilize para amplificar vozes, projetos e iniciativas de pessoas negras. A luta contra o racismo tem que ser de todos e tem que ser uma luta diária.

Por onde começar?

Que tal começar extinguindo falas racistas do seu dia a dia? Aqui vão algumas expressões que você pode substituir por sinônimos. Qualquer forma de preconceito deve ser banida, repudiada e julgada.

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