Parabéns, antoniana cidade !

Raimundo Bechelaine

Esta feliz cidade, que celebrou aniversário na segunda-feira passada, 1º de junho, nada possui em homenagem ao santo do seu dia. Nem avenida ou praça, nem paróquia, escola ou, ao menos, uma igreja. No entanto, São Flávio Justino é figura importante nas páginas da história do cristianismo e da filosofia. 

Por outro lado, se ignora o filósofo e mártir São Justino, Divinópolis mostra devoção por outro santo. Foi aqui publicada, por longos anos, a popular “Revista de Santo Antônio”, que reunia leitores e colaboradores de prestígio. O histórico jornal “A Semana” editava-se na Gráfica Santo Antônio. Mais ainda, no município duas tradicionais paróquias têm o taumaturgo de Lisboa e Pádua como patrono. 

A mais antiga situa-se no Distrito de Ermida ou Santo Antônio dos Campos e caminha para os 85 anos. É a segunda paróquia criada no município, em 1º de janeiro de 1936. Mas é a primeira, após a emancipação municipal. 

A outra está aqui, no centro urbano. Tem seu templo-matriz no Santuário de Santo Antônio, uma referência da cidade. É a terceira no município, criada aos 30 de dezembro de 1944. Completou 75 anos no fim do ano passado. 

Por que se deu a esta paróquia o título de Santo Antônio, se já havia a outra, criada oito anos antes, sob o mesmo orago? Se era para agradar aos franciscanos, que assumiriam a paróquia, poderia ser o próprio São Francisco ou Santa Clara de Assis, São Boaventura, São Bernardino de Sena, São Benedito. Por que não o esquecido padroeiro do Brasil, São Pedro de Alcântara? Ou mesmo Santa Isabel de Portugal, padroeira de Coimbra, onde estudaram ilustres brasileiros. Santos não faltam aos franciscanos.

Porém com os fatos não convém brigar. Menos ainda com Santo Antônio. Assim sendo, lembramos a esta antoniana cidade, especialmente aos Reverendos Frades Menores, aos párocos e paroquianos das duas paróquias que, neste pandemíaco ano de 2020, comemora-se um interessante aniversário. São os 350 anos de um célebre sermão em honra de Santo Antônio, pronunciado em Roma pelo padre Antônio Vieira, em 22 de maio de 1670. 

Dois anos depois, ele pronunciaria outra prédica em louvor a Santo Antônio, ainda em Roma. Ao todo, Vieira dirigiu ao santo, nove peças oratórias. No Brasil, a mais famosa é o “Sermão de Santo Antônio aos Peixes”, em São Luís do Maranhão. Mereceu, inclusive, uma bela declamação, na voz da cantora Maria Bethânia. 

Fica-nos, enfim, uma honrosa conclusão. Têm Divinópolis e o genial Vieira alguma coisa em comum? Ora pois: a veneração por Santo Antônio!   jorababech@gmail.com

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