Para ontem

MAIS QUE PALAVRAS

PARA ONTEM

Olá! Como vai? Por que deixamos as coisas sempre para ontem? Não errei em minha expressão! Exatamente assim que penso: não penso que deixamos as coisas para amanhã, adiando todas as coisas, como bom brasileiro. Não! Penso que superamos muito essa fase. Aprimoramos bastante o nosso desentendimento entre questões urgentes e prioritárias. No que diz respeito ao mau hábito do brasileiro, ficamos melhores no descaso das questões prioritárias da vida. Não deixamos as coisas para amanhã porque não faremos nada amanhã. O que fazemos agora me parece bem pior do que tudo que já aprendemos a fazer de errado: deixamos para ontem! Ou seja, não faremos mais porque o tempo passou.

Em todas as passagens da minha vida, sempre me marcaram as situações em que estive com alguém que, por alguma razão, vive o pior dos sentimentos que poderíamos experimentar: a sensação do tempo perdido. Sabe qual é a sensação de que estou falando? Aquela terrível, que nos deixa péssimos, por perceber que esperamos demais. Poderíamos ter amado ontem. Poderíamos ter perdoado ontem. Poderíamos ter abraçado ontem. Poderíamos ter sido misericordiosos. Poderíamos ter sido bons filhos ontem. Poderíamos ter sido bons pais ontem. Mas não fomos! De repente, descobrimos que o amanhã não resolverá nada. E, hoje... Bem, hoje é tarde demais. Quando percebemos, o que acreditávamos ser possível fazer depois era urgente demais. E vemos que o tempo (que não nos pertence controlar) passou. E só sobreviveria naquele momento. Perdemos! Passou!

Talvez você saiba que, em meu trabalho, lido com pessoas e suas emoções mais profundas escondidas. Não escondidas na alma (lugar onde geralmente escondemos nossos traumas), mas em um lugar mais profundo ainda que esse – no espírito! Esse é um lugar extremamente secreto, escondido, para os homens. Tão reservado que a Bíblia diz que somente há um que consegue sondar esse lugar. E essa Pessoa, incrivelmente sábia e poderosa, que entra nos lugares escondidos do homem, é o Espírito Santo de Deus (não poderia ser uma tarefa resolvida por outrem). Assim afirmam as Escrituras: “Senhor, sei que me sondas” (Salmo 139.1). 

Referi-me ao meu trabalho porque nele aprendo muito sobre o homem (e aprendo muito sobre mim mesmo). Não há nada mais inquietante do que estar diante de uma pessoa, tentando ajudá-la, e ali, com atenção voltada para ela, perceber que não posso fazer nada além de observar o seu silêncio, e que aquela pessoa também me olha aguardando uma reação minha, que possa ajudá-la, e dizer alguma coisa, a ter uma reação positiva. Mas tudo que é possível fazer é apenas observar em silêncio. E buscar não deixar que o silêncio atrapalhe a dor daquele a quem nos propomos a ajudar. Isso é angustiante, pelo conflito de alma que se percebe. Você não tem ideia do quanto o silêncio é poderoso para se comunicar!...

O pior de tudo isso de que estou falando é que nós nunca tivemos uma geração como esta, com tanta dificuldade de comunicação. A impressão que tenho é que, cada vez mais, estamos diante de pessoas que não possuem alma. São vazias em si mesmas. O espírito humano é capaz de guardar coisas ainda mais secretas do que a alma. E uma das marcas mais fortes que encontramos na alma do homem é o sentimento de que perdeu tempo. 

Precisamos compreender urgentemente o valor do “hoje”, porque, de fato, é tudo que temos. Um instante, uma fração de segundo. Abra os olhos para isso! Aproveite agora. Ame agora. Viva agora. Abrace a quem você ama agora. Diga eu te amo agora. Perdoe agora. Seja paciente agora. Porque amanhã não existe ainda. E, até que o dia de amanhã exista, na realidade, do “agora” temos apenas este momento.

Espero, de coração, que não deixe mais nada de importante e prioritário para amanhã. Espero que nenhum de seus amigos veja o vazio em seus olhos, caso perca o hoje. Viva o hoje! Hoje, viva! Não espere pelo amanhã.

Israel Leocádio 

 

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