Pandemia? Que pandemia?

Editorial 

Basta andar alguns poucos quarteirões em Divinópolis e alguns municípios ao redor para se ter a sensação de que a covid-19 não existe, que a pandemia já acabou, que a cura foi encontrada e todos estão imunizados. Apesar dos constantes alertas e pedidos para que a população se previna, use máscara, lave as mãos, utilize álcool em gel, não aglomere e tenha outros cuidados, o povo não ajuda. Com isso, os casos confirmados e mortes aumentam a cada dia na cidade. O boletim divulgado pela Prefeitura ontem mostra que Divinópolis tem 1.537 casos confirmados e 61 óbitos causados pela doença. 

A maioria dos casos confirmados são de mulheres entre 20 e 59 anos. Em relação às mortes, a maioria também é de mulheres – 33, e 28 homens –, acima de 60 anos. Diante do cenário, o que se deduz é que a maioria dos casos confirmados são de pessoas economicamente ativas, ou seja, trabalham, saem de casa; e que a maior quantidade das mortes é de idosos, que deveriam estar dentro de casa, cumprindo o isolamento domiciliar, conforme recomendado pelo Ministério da Saúde (MS). Não há dúvidas de que muitos estão, porém, há os jovens que se julgam imunes e levam  o vírus até eles.

Para deixar a situação ainda um pouco mais complexa, Divinópolis voltou nesta semana para a onda amarela no programa Minas Consciente, do Governo do Estado, e voltou a adotar uma série de restrições. É como dizem por aí: foi bom enquanto durou. A cidade ficou poucos dias na onda verde do programa, pois a população não soube “aproveitar” os relaxamentos que a faixa do Minas Consciente permitia e se esbaldou por aí. Confundiram relaxamento com cura, e o município regrediu. É aquele ditado: “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza”. E não tem morte, não tem números de casos confirmados, não tem dado que faça o povo se conscientizar e cumprir medidas básicas de prevenção à doença. 

Somente ontem foram computadas mais de 100 mortes por covid-19 em Minas Gerais, nas últimas 24h, e, com isso, o estado chegou a 7.811 óbitos na pandemia. São 7.811 vidas! São 7.811 famílias atingidas de uma forma cruel e dolorosa pelo coronavírus. É assustador. Mas o que é ameaçador de verdade são essas mortes anunciadas todos os dias, e a população insistir em agir como se nada estivesse acontecendo. É a indiferença do ser humano, que não vai sair mais forte disso tudo e, muito menos, empático. Diante de um cenário em que a maioria das pessoas contaminadas está entre 20 e 59 anos, e as mortes são de pessoas acima de 60, a última coisa que se pode falar é em empatia. 

“Ah, mas o povo tem que trabalhar.” Sim, é verdade. Mas o povo também tem que se prevenir, se proteger e proteger o próximo, pois só assim o nível de contágio da doença será controlado. A continuar assim, não tem prefeito, governador, presidente, nem secretário de Saúde que faça milagre. Aliás, mais uma vez tudo está nas mãos da população. As medidas estão aí, as recomendações também, e a grande pergunta é: a onda vermelha espera por Divinópolis? A cidade voltará à estaca zero? Infelizmente pelo que se viu até agora, sobre colaboração relaxada de quem deveria estar com medo, o risco é grande. 

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