Paciente morre na UPA sem Prefeitura acatar decisão judicial que pedia transferência

Marly Teixeira de Cardoso teve piora no quadro depois de não conseguir o deslocamento

Da Redação

Morreu no final da tarde desta sexta-feira a paciente Marly Teixeira de Cardoso, de 60 anos, que aguardava na UPA uma vaga para transferência de hospital. Conforme o Agora noticiou na última edição impressa, a família da mulher entrou na justiça no começo do mês pedindo a mudança para um hospital com melhores condições para atender Marly. 

Requerimento

No dia 4 de maio, um médico responsável por Marly assinou um requerimento pedindo a transferência.

— A paciente está internada na terapia intensiva do hospital de campanha, onde a disponibilidade de bombas de infusão contínua, monitores e medicamentos como os sedativos podem faltar — diz o documento.

Liminar

No dia 5, o juiz responsável pelo caso concedeu uma liminar autorizando e exigindo a transferência imediata da paciente. A Prefeitura, porém, respondeu os questionamentos da Justiça no dia 10, afirmando que a mudança não seria necessária.

— Conforme informações anexas, a liminar já foi prontamente atendida, pois a paciente deu entrada na UPA em 3 de maio, às 6h04, sendo transferida para UTI do hospital campanha, referência em tratamento da covid-19, naquele mesmo dia, às 11h42. Importante ressaltar que o hospital de campanha é uma unidade hospitalar com UTI e todos os recursos necessários ao tratamento da doença, se localizando ao lado da UPA, dentro do mesmo lote de terreno, o que pode ter levado a defesa, com todo respeito, atribuir uma falta de assistência que não está acontecendo — argumentou à época. 

Piora

Enquanto isso, a paciente continuava piorando, precisando, inclusive, de realizar um procedimento de intubação. O Agora teve acesso a uma conversa entre uma médica que cuidava de Marly e uma parente da mulher.

  • C: Deixa eu te perguntar outra coisa: a possibilidade dela vir a óbito é muito grande? 
  • Médica: É muito grande. (...) Do ponto de vista pulmonar ela nunca teve uma melhora sustentada, ela tem pequenas melhoras ao longo do dia e piora de novo a noite, entendeu? Parece que vai melhorar e depois piora de novo, ela responde parcialmente. O raio X mostra um pulmão muito tomado, com pouca carisma saudável. Está com um acometimento muito extenso do pulmão.

Justificou

Questionado pela reportagem na matéria da última edição impressa, a Prefeitura justificou a negativa na transferência da mulher.

— A advogada da paciente pediu a transferência para um hospital com CTI covid, mas isso não faz sentido, porque ela não está na UPA, e sim no hospital de campanha. A judicialização está com a subprocuradora e ela já entrou com o agravo respondendo esta solicitação. A procuradora já explicou que ela está dentro do CTI covid. Então, não foi deixado de cumprir a solicitação. No momento, ela não tem indicação para ir para outra instituição — explicou à época.

Marly

Marly Teixeira de Cardoso, que residia no bairro Morada Nova e trabalhava como cozinheira, deixa duas filhas e um neto, que estava próximo de nascer. O Agora deseja condolências à família.

 

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