Outra vez é Natal

Augusto Fidelis

Por tudo demos graças a Deus, porque podemos ver o que muitos gostariam de ter visto, isto é, a estrela de Belém brilhar mais uma vez, pois outra vez é Natal. Não importa a pandemia e muito menos a cristofobia, nem mesmo que chova ou se o tempo convide a sair. Ora, esta será mais uma noite de Natal. Portanto, é justo elevarmos nosso pensamento ao Altíssimo e agradecer pelas maravilhas que ele nos faz, não porque mereçamos, mas por nossas necessidades. Preparemos o nosso assado para degluti-lo junto com os nossos entes queridos, em meio a manifestações de alegria, pois, afinal, é Natal.

Mas, à meia noite, cheguemos à janela para vermos a estrela de Belém multiplicada em milhares de luzes, pousadas nas fachadas dos prédios, das casas, nas árvores, como vaga-lumes nas noites escuras. Se chover, aquela chuva fina e constante, deixemos a nossa imaginação vagar até o polo Norte e esquiarmos na neve dos nossos sonhos. Ao longe, ouviremos uma música que tocará a nossa alma e uma saudade baterá ao peito, lembranças de tempos que não voltam mais. No entanto, assim disse Nabor Fernandes: “O tempo se incumbe de trazer e depositar em nossas mãos o fruto da semente que plantamos em nossos dias”.

É possível que muitos prefiram se insular em suas casas, sozinhos, temerosos de que as visitas lhes tirem o sossego e a intimidade do lar. A modernidade não deu ao ser humano a liberdade almejada, não o fez mais feliz, não respondeu a tantas perguntas que lhe inquietam o espírito. E a pós-modernidade torna as pessoas cada vez mais individualistas e insensíveis aos dramas alheios, embora assistamos lampejos de solidariedade. 

O melhor seria se pudéssemos caminhar pelas ruas e praças, em meio à multidão frenética, em busca de algo, que pode ser o presente para quem amamos, a atenção de um amigo, o carinho de um grande amor ou simplesmente fugir da solidão. Porém, nessa impossibilidade, devido às ameaças da covid, podemos chegar à janela e prestar atenção a rostos passantes. Pode ser que, entre os desconhecidos, três chamem a atenção. Podem ser Gaspar, Belchior e Baltazar à procura do menino Jesus. Então, não tenhamos medo. Caminhemos com eles para Belém, porque assim diz F. Anselmo: “O homem não é um ser errante entre o céu e a terra, mas uma criatura de Deus em marcha para a eternidade”. 

Ao Menino, a exemplo dos Magos, ofereçamos-lo ouro, para que realce sua realeza perante o povo; ofereçamos-lo incenso, para que sua divindade inebrie a nossa alma e nos cumule de bênçãos; ofereçamos-lo também a mirra, para lembrar aos incrédulos o sacrifício do nosso Cristo em prol da humanidade. No mais, meus amores, feliz Natal!   

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