Os ‘novos’ velhos

O fim de mais um ano se aproxima, trazendo as boas novas, uma delas, as chuvas. Com elas, os “novos” velhos problemas: enchentes, deslizamentos, dengue, buracos nas ruas, obras inacabadas “engolindo” veículos, bueiros entupidos, enfim, os mesmos problemas de anos luz sem solução. Os brasileiros já se tornaram experts em enchentes, em buracos... Enfim, em todos os problemas que este período traz. Muitos dão risadas. Mas, isso não é engraçado. Na verdade, é muito sério. Se enfrentamos o mesmo caos, por que não os solucionamos ainda? Por que temos que enfrentá-los todos os anos e da mesma forma? Por que ainda não temos asfaltos de qualidade, que não cedem às primeiras chuvas? Até quando os bueiros serão usados como lixeira? Por que os casos de dengue aumentam a cada ano? Por que ainda temos deslizamentos de casas com mortes? Por que tudo isso acontece repetidamente? Por que ainda não evoluímos? Por que ainda somos um “paiseco” de terceiro mundo, que não consegue eliminar um mosquito sequer?

É difícil encontrar respostas para esses questionamentos, mas elas existem. Porém, não interessante para os responsáveis responder ou mesmo resolver. Claro que não. Afinal, as eleições no Brasil ocorrem de dois em dois anos. Mas, a culpa não é somente deles. Afinal, nos especializamos em nos adaptar a todo e qualquer tipo de situação, seja ela positiva ou negativa. Mas, como estamos falando de Brasil, somos mais do que experts em nos adaptarmos a situações difíceis. A culpa é de quem? Dos políticos que pensam em somente se reeleger? Ou do povo, que apenas se adapta e não reclama? Talvez, até encontrarmos as respostas, continuaremos sobrevivendo ao caos que o fim de cada ano trás. Até acharmos algo que nos convença, permaneceremos resistindo às enchentes, aos buracos nas ruas, à dengue (nem sempre), aos deslizamentos e por aí vai.  E acredite, sobreviveremos, pois somos especialistas em nos adaptar, porque aprendemos a não cobrar e a idolatrar aqueles que são pagos para trazer melhorias para nós. Aprendemos também a justificar as nossas atitudes erradas com as atitudes erradas dos outros.

Funciona mais ou menos assim: “Ah, vou jogar o lixo na rua, só um papelzinho não vai fazer diferença”, “Vou só furar uma fila aqui”, “Vou estacionar o meu carro em vaga destinada a deficiente só por cinco minutinhos”, tudo isso sob a justificativa de que “isso aqui não é nada, que o problema é o que eles fazem em Brasília”. E aí está o nosso ciclo sem fim, que nos faz enfrentar os mesmos problemas todos os dias, meses e anos, que nos faz sobreviver ao caos. Acomodamo-nos. Estamos divididos e acomodados. Acomodados àquilo que nos faz mal, com as nossas atitudes que nos trazem o mal. Assim, seguimos com os “novos velhos problemas” todos os anos. Continuamos a nos adaptar às situações extremas e de perigo. E não adianta vidas serem levadas todo fim de ano pelos mesmos córregos, mesmos barracos, mesmas rodovias. Simplesmente estagnamos e continuamos a ser coniventes para cada vez mais morarmos em “paiseco” de terceiro mundo. Queremos mudança, mas não queremos mudar.

Até que decidamos ser a mudança que a gente tanto quer no mundo, é melhor nos prepararmos, pois o tempo de enchente, de buraco nas ruas, de dengue, de bueiros transbordando chegou e não deve acabar tão cedo. Seguimos com os nosso “novos” velhos problemas...

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