Os bastidores falam

Os bastidores falam 

Editorial

As últimas semanas da política divinopolitana mostraram que a lua de mel entre Prefeitura e Câmara pode estar passando por momentos turbulentos. Como todos sabem, a essência da política não está nas redes sociais, e muito menos nos discursos apaixonados feitos pelos vereadores. Está nos bastidores e nos votos dos parlamentares nos projetos de lei. Um exemplo foi dado quandos os vereadores derrubaram o veto do Executivo dado ao Projeto de Lei CM Nº 007/2021, que estabelece a obrigatoriedade de notificação do beneficiário de pagamento de Requisição de Pequeno Valor e Precatórios (RPV) por parte do Município de Divinópolis, de autoria do vereador Edsom Sousa (CDN), líder de governo na Câmara. 

A proposta foi aprovada pelos vereadores no fim de abril, porém a Prefeitura vetou o projeto sob a justificativa que era inconstitucional, que causaria lesão aos princípios da legalidade e da autonomia dos poderes, além de ter vício de origem. O veto voltou ao Legislativo e foi derrubado pelos parlamentares. Por fim, o projeto de lei foi promulgado pelo presidente da Câmara, Eduardo Print Júnior (PSDB), publicado no Diário Oficial dos Municípios Mineiros da última segunda-feira e transformado na Lei Municipal Nº 8.819/2021. Para um bom entendedor “meio veto” basta. A situação torna-se um pouco mais “curiosa” por se tratar de um projeto que não traria ônus ao Município, e era de autoria do líder de governo na Câmara. E, por falar em “curiosidade”, se a política é feita na verdade de bastidores, eles contam que o líder de governo não está nada contente com as atitudes do prefeito, Gleidson Azevedo (PSC). 

Muito além de derrubar um veto, o fim da lua de mel envolve mais situações. Entre elas, as notas que a Prefeitura divulgou nas últimas semanas desmentindo vídeos de vereadores. Juntando tudo em um pacote só ‒ o veto, mais descontentamento do líder de governo, mais vídeos sensacionalistas ‒, a grande questão é: o prefeito e sua equipe estão achando a oposição pesada ou montada? É de bom lembrar que, com a atual legislatura, talvez seja interessante que Gleidson trabalhe para ter uma base forte na Câmara e sua liderança intacta, pois uma oposição pesada é difícil de se enfrentar. Galileu Machado (MDB), último gestor, provou um pouco deste veneno. Caso deixe a liderança de governo, Edsom, sem sombra de dúvidas, se tornará oposição, e todos sabem que ocupar o “cargo” e exercer a função de representar o Executivo na Câmara não é lá a melhor de todas. Além de não ser o melhor dos papéis, o cargo deve ser ocupado por um vereador com capacidade de dialogar, de negociar, de articular e principalmente experiente, pois a política nada mais é do que articulação constante, jogo de cintura ‒ e a liderança de governo exige nada mais do que conhecimento e uma boa soma de mandatos. 

Se as últimas semanas foram primordiais para mostrar que a lua de mel está ameaçada, as próximas serão determinantes para se saber onde os caminhos tomados levarão Divinópolis nos próximos anos. O desejo é que nada seja tão desarmonioso quanto o “relacionamento” da última legislatura com o Poder Executivo, sob o risco de um novo desastre. 

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